Novo observatório mapeia e amplia visibilidade da produção acadêmica de pesquisadores negros no Brasil
Em seu primeiro mês, o Observatório de Produções Afro Acadêmicas já reúne 107 pesquisas, 74 pesquisadores e 32 instituições de ensino superior em 14 estados
Texto: Divulgação
A produção acadêmica de pesquisadores negros no Brasil acaba de ganhar uma nova plataforma de visibilidade e articulação. O Observatório de Produções Afro Acadêmicas (OPA) já está no ar e reúne pesquisas de estudantes, docentes e pesquisadores negros vinculados ao ensino superior brasileiro, com o objetivo de ampliar a circulação e o reconhecimento da produção intelectual negra.
A iniciativa parte da constatação de que a produção intelectual de pesquisadores negros ainda encontra barreiras de visibilidade e circulação dentro e fora da universidade. O OPA pretende se consolidar como uma base de referência sobre a produção acadêmica negra no país. A partir das informações reunidas na plataforma, a iniciativa também busca produzir indicadores sobre a presença de pesquisadores negros no ensino superior, identificando instituições, áreas do conhecimento e distribuição dessa produção pelo território nacional.
Livia Albuquerque, pesquisadora e idealizadora da plataforma, afirma que o OPA nasce do questionamento sobre onde está a produção acadêmica negra brasileira e quem está conseguindo encontrá-la.
“Existe uma produção ampla e diversa, mas muitas vezes ela permanece restrita aos espaços onde foi produzida. Queremos contribuir para que esse conhecimento circule, seja reconhecido e possa chegar a mais pessoas.”
Em seu primeiro mês de funcionamento, a plataforma reuniu 107 produções acadêmicas, 74 pesquisadores publicados e 32 instituições de ensino superior distribuídas por 14 estados brasileiros.
A partir do crescimento da base, o observatório pretende produzir indicadores capazes de revelar quem está produzindo conhecimento, em quais instituições, áreas e regiões do país. A organização dessas informações permite visualizar uma dimensão da produção acadêmica negra que muitas vezes permanece dispersa nos repositórios institucionais e nas bases acadêmicas tradicionais.
O mapa disponível na plataforma já permite visualizar a distribuição das instituições e pesquisadores representados no OPA pelos estados brasileiros.
Albuquerque ainda enfatiza sobre a importância de que a produção acadêmica negra não seja acessada apenas quando o tema da pesquisa está relacionado às relações raciais.
“Pesquisadores negros produzem conhecimento em economia, comunicação, saúde, direito, educação, tecnologia, engenharia, ciências humanas e em todas as áreas. O OPA existe para tornar essa produção visível.”
Para integrar a plataforma, o autor deve se autodeclarar preto ou pardo, possuir vínculo com o ensino superior brasileiro e autorizar a disponibilização de sua produção no observatório. O cadastro é gratuito e passa por análise editorial antes da publicação.
Como participar
Pesquisadores negros vinculados ao ensino superior brasileiro podem cadastrar suas produções gratuitamente no site. A iniciativa também busca estabelecer conexões com universidades, grupos de pesquisa, organizações, coletivos e entidades interessadas em contribuir para a disseminação da produção acadêmica negra brasileira.
