A negritude brasileira está sendo tratada como sujeito político ou apenas como eleitorado, nas campanhas de 2026?

A partir do próximo dia 16 de agosto, começa oficialmente as campanhas eleitorais no Brasil. Do seu resultado dependerá em grande medida o futuro das políticas públicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial no país. Diria mais, do seu resultado, dependerá o futuro da democracia no Brasil. Portanto, é importante sabermos a […] O conteúdo A negritude brasileira está sendo tratada como sujeito político ou apenas como eleitorado, nas campanhas de 2026? aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

A negritude brasileira está sendo tratada como sujeito político ou apenas como eleitorado, nas campanhas de 2026?

A partir do próximo dia 16 de agosto, começa oficialmente as campanhas eleitorais no Brasil. Do seu resultado dependerá em grande medida o futuro das políticas públicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial no país.

Diria mais, do seu resultado, dependerá o futuro da democracia no Brasil.

Portanto, é importante sabermos a quantas andas a questão racial no processo eleitoral atual, após mais de 20 anos de políticas de ações afirmativas e do tema racial ter ocupado,  lugar de destaque em muitos momentos na agenda política brasileira.

Há sinais evidentes que avançamos. O Tribunal Superior eleitoral, por exemplo, estabeleceu e assegurou, nas regras eleitorais de 2026, recursos mínimos para candidaturas negras nos partidos políticos (30%).

Mas, também é verdade que financiamento não é o mesmo que poder político.

Exemplo disso, é que inúmeros candidatos/as tem se transformado de uma hora para outra, em pardos e consequentemente negros, única e exclusivamente para terem acesso a esses recursos financeiros, com o apoio e o beneplácito das direções partidárias.

Por isto mesmo, só podemos considerar que as candidaturas negras é um sujeito político quando essas candidaturas e os movimentos negros às quais estão ligadas, participam efetivamente da definição do programa político do partido e apresentam suas próprias demandas, disputando efetivamente os espaços de decisão, dentro e fora do partido.

Isso significa dizer que precisa estar no centro dessa agenda política, questões importantes como: a segurança pública e o genocídio da juventude negra, a educação antirracista nas redes públicas, saúde da população negra, políticas de reparação, trabalho e renda, valorização das culturas afro-brasileiras, etc.

Fora daí é figurante.

E isso tem ocorrido com bastante frequência nas campanhas eleitorais, em variados espectros ideológicos, da esquerda a extrema direita. É comum nesses casos o uso da estética negra, a visita as comunidades negras e quilombolas, eventos culturais, bem como a utilização dos símbolos da cultura negra, como apanágio de compromisso.

Mas, na real, essas candidaturas não apresentam nenhuma proposta política de enfrentamento do racismo real, pelo contrário, só buscam mesmo o voto negro. É a chamada, apropriação eleitoral da negritude, onde a população negra, é vista tão somente, como um grande contingente de votos, e não como protagonista da formulação política.

Portanto, já é passada a hora, da questão racial, deixar de ser tratada como um “tema específico” de campanha eleitoral, até porque a questão racial implica em questões de ordem econômica, educacional, cultural, de segurança, de saúde, território, democracia e representação política. Ou seja, é uma questão que precisa ser compreendida e tratada na sua dimensão transversal.

Precisa fazer parte de um projeto de país e não de uma ação pontual.

É dessa compreensão que vem a pergunta inevitável a ser feita a qualquer candidatura negra em 2026: Qual o projeto de sociedade que essas candidaturas e seus respectivos partidos, estão apresentando para o país?

E nesse aspecto, não há como contornar a questão democrática. Ela é central.

Melhor dizendo, as candidaturas negras, se desejarem ser efetivas, precisam estar presentes não só na luta contra o racismo, mas também, na defesa da democracia, pois sem ela não haverá projeto político que assegure a promoção da igualdade racial e da reparação no Brasil.

Toca a zabumba que a terra é nossa!

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