Rede PALOP + Timor-Leste retoma mapeamento do audiovisual
A informação foi avançada pela realizadora e cineasta Samira Vera-Cruz, durante um encontro com profissionais e empresas do sector, realizado na última segunda-feira, 17, no Centro Cultural Português, na cidade da Praia, para apresentar a iniciativa e mobilizar os intervenientes para participarem na actualização do directório online da rede.O mapeamento teve início em 2019, mas acabou por ser interrompido devido à pandemia da covid-19, a compromissos profissionais e às dificuldades de acesso a financiamento. O trabalho foi agora retomado depois de a rede ter conseguido financiamento do Instituto da Cooperação e da Língua - Camões, através do ProSéries.Segundo Samira Vera-Cruz, o processo será desenvolvido em duas fases. A primeira passa pela actualização dos dados já recolhidos, através do contacto com os profissionais e entidades anteriormente identificados. A segunda prevê a recolha de novas informações, mediante um formulário e com o apoio de estagiários que irão trabalhar nos diferentes países.Nesta fase, o mapeamento está a decorrer em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, estando já em curso contactos para o alargamento posterior à Guiné-Bissau e a Timor-Leste. Em relação a Angola, a cineasta reconheceu que existem maiores desafios, sobretudo devido às diferenças entre as realidades económicas dos países.“O mesmo dinheiro que dá muito resultado em Cabo Verde não é suficiente em Angola, porque as nossas realidades económicas são diferentes”, explicou.Para Samira Vera-Cruz, conhecer quem trabalha no sector, onde e em que área será fundamental para tornar a colaboração mais fácil e estruturada. Actualmente, segundo disse, já existem parcerias entre profissionais dos diferentes países, mas estas resultam sobretudo de iniciativas independentes.A ideia da própria rede nasceu, segundo explicou, depois de um laboratório realizado em Moçambique, em 2016, onde profissionais de vários países constataram que enfrentavam desafios semelhantes e decidiram criar uma estrutura de cooperação.Aproximar profissionaisCom o directório disponível online, a expectativa é facilitar o contacto entre profissionais e empresas dos diferentes países. Um cineasta cabo-verdiano que pretenda, por exemplo, filmar em São Tomé e Príncipe poderá procurar na plataforma quem trabalha no país e em que área, facilitando a identificação de possíveis parceiros.“O cinema é uma arte de colaboração, não se faz cinema sozinho”, afirmou a realizadora.Depois do mapeamento, a rede pretende avançar com acções de formação. A primeira está prevista para este mês, em Moçambique, durante o Festival Kugoma, através de um laboratório de cinema que deverá ser posteriormente replicado em Cabo Verde, em Outubro, em parceria com o Kafuka.O laboratório será dedicado à elaboração de planos de financiamento e estratégias de distribuição. Segundo Samira Vera-Cruz, existem muitas boas ideias que não se concretizam por falta de recursos e filmes que, depois de produzidos, acabam por não circular por falta de estratégias de distribuição.A formação deverá, por isso, ajudar os profissionais a identificar fontes de financiamento e a encontrar formas de fazer os filmes chegar ao público. Os projectos trabalhados deverão abordar, entre outros temas, a conservação do ambiente e a igualdade de género.A rede pretende ainda, numa fase posterior, transformar-se numa agência capaz de apoiar a distribuição dos filmes produzidos na região.Entre os principais desafios do audiovisual, a cineasta apontou, além do financiamento, a ausência de formação específica em cinema e audiovisual e as dificuldades de acesso a equipamentos.No caso de Cabo Verde, chamou ainda a atenção para a necessidade de os profissionais estarem mais preparados para concorrer a fundos e outras oportunidades.“Quando não concorremos, o não é garantido. Quando concorremos, talvez dê”, afirmou.“Para lá da sobrevivência”Questionada sobre o actual estado do audiovisual em Cabo Verde, Samira Vera-Cruz considerou que o sector está em crescimento, depois de ter passado por um longo período de sobrevivência.A realizadora destacou o reconhecimento internacional que o cinema cabo-verdiano tem vindo a conquistar, apontando, entre outros exemplos, o prémio alcançado por Yuri Ceuninck no Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, FESPACO, e o percurso internacional de Denise Fernandes, além do trabalho desenvolvido por outros profissionais.“Continuamos com desafios, sem dúvida, mas temos encontrado soluções bastante interessantes”, afirmou.Para a cineasta, o cinema cabo-verdiano está actualmente “para lá da sobrevivência”, resultado do trabalho desenvolvido por vários profissionais e do surgimento de novos talentos interessados em contar histórias através do cinema.“Todos os dias vou conhecendo gente nova que quer fazer cinema, que procura, que tem histórias”, salientou.É neste contexto que o mapeamento assume, segundo Samira Vera-Cruz, uma importância estratégica. Ao permitir saber quem está a trabal
A informação foi avançada pela realizadora e cineasta Samira Vera-Cruz, durante um encontro com profissionais e empresas do sector, realizado na última segunda-feira, 17, no Centro Cultural Português, na cidade da Praia, para apresentar a iniciativa e mobilizar os intervenientes para participarem na actualização do directório online da rede.
O mapeamento teve início em 2019, mas acabou por ser interrompido devido à pandemia da covid-19, a compromissos profissionais e às dificuldades de acesso a financiamento. O trabalho foi agora retomado depois de a rede ter conseguido financiamento do Instituto da Cooperação e da Língua - Camões, através do ProSéries.
Segundo Samira Vera-Cruz, o processo será desenvolvido em duas fases. A primeira passa pela actualização dos dados já recolhidos, através do contacto com os profissionais e entidades anteriormente identificados. A segunda prevê a recolha de novas informações, mediante um formulário e com o apoio de estagiários que irão trabalhar nos diferentes países.
Nesta fase, o mapeamento está a decorrer em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, estando já em curso contactos para o alargamento posterior à Guiné-Bissau e a Timor-Leste. Em relação a Angola, a cineasta reconheceu que existem maiores desafios, sobretudo devido às diferenças entre as realidades económicas dos países.
“O mesmo dinheiro que dá muito resultado em Cabo Verde não é suficiente em Angola, porque as nossas realidades económicas são diferentes”, explicou.
Para Samira Vera-Cruz, conhecer quem trabalha no sector, onde e em que área será fundamental para tornar a colaboração mais fácil e estruturada. Actualmente, segundo disse, já existem parcerias entre profissionais dos diferentes países, mas estas resultam sobretudo de iniciativas independentes.
A ideia da própria rede nasceu, segundo explicou, depois de um laboratório realizado em Moçambique, em 2016, onde profissionais de vários países constataram que enfrentavam desafios semelhantes e decidiram criar uma estrutura de cooperação.
Aproximar profissionais
Com o directório disponível online, a expectativa é facilitar o contacto entre profissionais e empresas dos diferentes países. Um cineasta cabo-verdiano que pretenda, por exemplo, filmar em São Tomé e Príncipe poderá procurar na plataforma quem trabalha no país e em que área, facilitando a identificação de possíveis parceiros.
“O cinema é uma arte de colaboração, não se faz cinema sozinho”, afirmou a realizadora.
Depois do mapeamento, a rede pretende avançar com acções de formação. A primeira está prevista para este mês, em Moçambique, durante o Festival Kugoma, através de um laboratório de cinema que deverá ser posteriormente replicado em Cabo Verde, em Outubro, em parceria com o Kafuka.
O laboratório será dedicado à elaboração de planos de financiamento e estratégias de distribuição. Segundo Samira Vera-Cruz, existem muitas boas ideias que não se concretizam por falta de recursos e filmes que, depois de produzidos, acabam por não circular por falta de estratégias de distribuição.
A formação deverá, por isso, ajudar os profissionais a identificar fontes de financiamento e a encontrar formas de fazer os filmes chegar ao público. Os projectos trabalhados deverão abordar, entre outros temas, a conservação do ambiente e a igualdade de género.
A rede pretende ainda, numa fase posterior, transformar-se numa agência capaz de apoiar a distribuição dos filmes produzidos na região.
Entre os principais desafios do audiovisual, a cineasta apontou, além do financiamento, a ausência de formação específica em cinema e audiovisual e as dificuldades de acesso a equipamentos.
No caso de Cabo Verde, chamou ainda a atenção para a necessidade de os profissionais estarem mais preparados para concorrer a fundos e outras oportunidades.
“Quando não concorremos, o não é garantido. Quando concorremos, talvez dê”, afirmou.
“Para lá da sobrevivência”
Questionada sobre o actual estado do audiovisual em Cabo Verde, Samira Vera-Cruz considerou que o sector está em crescimento, depois de ter passado por um longo período de sobrevivência.
A realizadora destacou o reconhecimento internacional que o cinema cabo-verdiano tem vindo a conquistar, apontando, entre outros exemplos, o prémio alcançado por Yuri Ceuninck no Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, FESPACO, e o percurso internacional de Denise Fernandes, além do trabalho desenvolvido por outros profissionais.
“Continuamos com desafios, sem dúvida, mas temos encontrado soluções bastante interessantes”, afirmou.
Para a cineasta, o cinema cabo-verdiano está actualmente “para lá da sobrevivência”, resultado do trabalho desenvolvido por vários profissionais e do surgimento de novos talentos interessados em contar histórias através do cinema.
“Todos os dias vou conhecendo gente nova que quer fazer cinema, que procura, que tem histórias”, salientou.
É neste contexto que o mapeamento assume, segundo Samira Vera-Cruz, uma importância estratégica. Ao permitir saber quem está a trabalhar, onde e em que áreas, a iniciativa poderá aproximar os profissionais, estimular novas parcerias e contribuir para uma organização mais estruturada do sector audiovisual no espaço PALOP + Timor-Leste.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1290 de 19 de Agosto de 2026.