Ano eleitoral e a questão racial como fica?
No último final de semana (05/04), encerrou-se a primeira etapa do processo eleitoral brasileiro para 2026. Na chamada janela partidária, 101 deputados federais e 9 senadores trocaram de partido como se troca de camisa. Afinal, o que importa mesmo é ter as melhores condições para ganhar as eleições em novembro. Fidelidade partidária, ideologia ou compromisso […] O conteúdo Ano eleitoral e a questão racial como fica? aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
No último final de semana (05/04), encerrou-se a primeira etapa do processo eleitoral brasileiro para 2026. Na chamada janela partidária, 101 deputados federais e 9 senadores trocaram de partido como se troca de camisa.
Afinal, o que importa mesmo é ter as melhores condições para ganhar as eleições em novembro. Fidelidade partidária, ideologia ou compromisso com as causas populares tem sido meros adereços no atual cenário político do país.
E nesse cenário, algo preocupante vem ocorrendo. A forma enviesada com que os partidos políticos tem tratado inúmeras questões essenciais para a população brasileira. Temas como a violência contra a mulher, a cultura e o racismo, tem sido tratado, muitas vezes, de forma distorcida.
A questão racial por exemplo, ora é tratada com posturas preconceituosas, ora com estereótipos, que tem por objetivo desqualificar a importância do tema. Confundir a luta antirracista com o identitarismo é apenas um deles.
Não se trata apenas de racismo explícito, mas de um tipo de julgamento sutil e estrutural, que influencia como a sociedade enxerga, trata e atribui valor às questões raciais.
Outro exemplo grave, é que os partidos e governos da extrema direita no Brasil, estão em campanha aberta contra as Cotas raciais no Ensino Superior, que foi e ainda é, seguramente, a maior conquista do movimento negro brasileiro nos últimos tempos.
As Cotas raciais abriram as portas das universidades brasileiras para mais de um milhão de jovens negros de 2024 até agora.
O ataque as Cotas tem sido frontal – o estado de Santa Catarina, tentou cancelar o sistema por meio da Lei 19.722/2026 que vedava:
“a adoção de políticas de reserva de vagas ou qualquer forma de cota ou ação afirmativa” baseada em critérios raciais para ingresso de estudantes e contratação de professores/técnicos”.
Um absurdo, mas que foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionada pelo Governador. Ainda bem que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu os efeitos dessa lei e o STF julgará em breve a sua inconstitucionalidade.
Nas últimas eleições, os partidos políticos, fraudaram escandalosamente as cotas para negros, indicando candidatos não negros para serem beneficiários as verbas partidárias (30% dos recursos do fundo partidário para pessoas negras).
E não satisfeitos aprovaram a chamada “PEC da Anistia – Emenda Constitucional 133” no Congresso Nacional, medida que perdoou os partidos políticos que descumpriram o repasse obrigatório de verbas para candidaturas de mulheres e pessoas negras em eleições de 2022.
Essa medida foi tão desrespeitosa que sua validade está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um Ação Direta de Inconstitucionalidade, impetrada pela Rede Sustentabilidade e pela Federação Nacional das Associações Quilombolas.
A gravidade da situação é tamanha que no último dia 31 de março, ocorreu em São Paulo um Ato Nacional em Defesa das Cotas Raciais e Ações Afirmativas, que contou com a presença do próprio Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
O fato é, se o movimento negro, bem como suas entidades, instituições e lideranças, não se mobilizarem para participar do processo eleitoral de forma vigorosa, estabelecendo uma agenda mínima a ser defendida pelos candidatos ao parlamento e ao executivo, muito em breve, perderemos as conquistas duramente alcançadas pela população negra.
Toca a zabumba que a terra é nossa!
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