Caixa Econômica e Arquivo Nacional negociam acordo para digitalizar 158 cadernetas de poupanças de pessoas escravizadas
Após início das investigações do MPF, além das cadernetas, outros 14 mil documentos da época foram localizados e aguardam tratamento
Por Jamile Novaes*
O Arquivo Nacional e a Caixa Econômica Federal estão em negociação para firmar um Acordo de Cooperação Técnica que vai viabilizar a digitalização de 158 cadernetas de poupança pertencentes a pessoas escravizadas no Brasil.
Os documentos foram encontrados após representação feita pelo movimento Quilombo Raça e Classe (QRC), que levou o Ministério Público Federal (MPF) a investigar quais medidas a Caixa adota para organizar, catalogar e digitalizar seu acervo histórico referente ao destino das poupanças abertas durante o século XIX.
Segundo informações da diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, ao G1, a próxima etapa da investigação consistirá em nova inspeção técnica no acervo para analisar o nível de conservação dos livros contábeis. Sem prazo definido para a conclusão das negociações, a assinatura do acordo dependerá desta nova etapa.
A expectativa é que a digitalização dos documentos contribua para a preservação digital das cadernetas e ampliação do acesso aos documentos para pesquisadores e para a sociedade em geral.
Com a Lei do Ventre Livre, promulgada em 1871, o Estado brasileiro passou a permitir que pessoas escravizadas pudessem ter poupança em instituições financeiras. Nos registros, constam nomes, endereços, profissões e movimentações financeiras de pessoas negras que juntavam dinheiro para comprar alforria para si ou para familiares.
Além das 158 cadernetas de poupança, foram identificados cerca de 14 mil documentos da época que ainda serão analisados.
*Com informações de G1
