Conexão não é só entre pessoas
Hoje eu quero convidar você a pensar, mais uma vez, sobre conexão, mas não apenas entre pessoas… Falamos tanto de conexões, de network, de relações sociais, encontros, trocas. E isso importa, claro. Mas me parece que estamos limitando demais o significado de “conexão”. Porque, no fundo, somos seres que nasceram em meio à natureza, que […] O conteúdo Conexão não é só entre pessoas aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
Hoje eu quero convidar você a pensar, mais uma vez, sobre conexão, mas não apenas entre pessoas…
Falamos tanto de conexões, de network, de relações sociais, encontros, trocas. E isso importa, claro. Mas me parece que estamos limitando demais o significado de “conexão”. Porque, no fundo, somos seres que nasceram em meio à natureza, que cresceram cercados por ela, ou deveríamos ter crescido, e quando nos isolamos desse vínculo maior, de alguma forma algo se perde.
Não estou propondo abraçar árvore, entoar “kum-ba-ya” ou adotar algum ritual esotérico. Nada disso. É algo mais essencial, voltar a reconhecer que somos parte dessa grande rede e não dominadores dela. Que pisamos em solo vivo, respiramos ar vivo, convivemos com seres vivos, plantas, animais e isso não é mero “extra”, é essência.
E percebo isso também no meu percurso, sou um ser extremamente urbano, adoro arte urbana, admiro cidades como São Paulo, Nova Iorque, Tóquio e vivo no ritmo pulsante das metrópoles, o grafite, o concreto, as avenidas vibrantes. Mas, ao longo do tempo, fui me deparando com os benefícios de um contato mais voltado à natureza e percebi que essa “desconexão natural” nos afasta de algo que talvez seja nosso alicerce.
Por que isso importa?
Alguns pontos que encontramos nas pesquisas:
- A teoria chamada Attention Restoration Theory argumenta que ambientes naturais têm a capacidade de restaurar nossa atenção, reduzir fadiga mental e proporcionar um tipo de “atenção sem esforço” (soft fascination), algo difícil de alcançar em centros urbanos.
- Estudos mostram que a simples exposição a ambientes naturais (ver verde, estar em uma floresta, caminhar em meio a árvores) pode reduzir o humor depressivo, ansiedade e níveis de estresse.
- Sobre o que se chama de Grounding ou “earthing”, o contato direto do corpo com a superfície da Terra (por exemplo, pés descalços na grama ou terra), há pesquisas que indicam efeitos fisiológicos: melhora no sono, normalização do ritmo de cortisol (hormônio do estresse), redução da dor e inflamação.
- A presença de animais de estimação (“pets”) também se relaciona com bem-estar humano, uma pesquisa recente encontrou que a interação consciente e “mindful” com o pet (estar presente, sincronizado) traz ganhos significativos para o ser humano em termos de bem-estar psicológico.
É isso! Estar conectado com a natureza, com o solo, com os bichos não é “natureza decorativa”, não é “quando der”, não é “luxo”. É fundamento!
O que perdemos com o tempo
Na urbanização intensa, no ritmo acelerado, no “sempre ligado”, fomos desconectando:
- Dos ciclos naturais do dia-noite, do ar mais puro, do solo sob os pés.
- Das plantas que não são só ornamento, são vida, são parte de nós.
- Dos animais, não apenas os pets, mas todo o ecossistema, que nos lembram que não estamos sozinhos.
- Do ritmo mais humano: pausa, contemplação, presença.
Essa desconexão gera desconfortos sutis: fadiga mental, sensação de estar “fora do lugar”, falta de sentido maior, estresse persistente.
Como podemos retomar essa conexão
Aqui vão sugestões práticas (que uso adaptadas à minha vida de metrópole), para trazer de volta essa essência:
- Reserve ao menos 10-20 minutos por dia para estar fora, de preferência tocando o solo, grama, terra, sem sapatos, ou ao menos pés apoiados em superfície natural.
- Leve seu pet para um passeio em um espaço verde, e observe: não apenas caminhe com ele, mas esteja presente, olhe para ele, interaja, sincronize-se, deixe o celular de lado. PS: no meu caso, como tenho uma gata, costumo importunar pets de outras pessoas

- Cultive uma planta em casa ou no apartamento, ter vida viva perto relaxa, lembra da conexão.
- Em meio urbano, busque “ilhas” de natureza, parques, margens de rio, áreas verdes e use aquelas pausas como “reset”.
- Reflexão: ao caminhar por entre edifícios de concreto, pergunte-se: “quando foi a última vez que toquei solo vivo? Quando foi a última vez que olhei para o céu sem predomínio de edifícios?”
Com o tempo, fui integrando pequenas práticas de “voltar à natureza” e notei que estas pausas, mesmo que breves, passam a fazer diferença. Mais clareza, mais calma, mais “base”. E aí me lembrei, essa newsletter fala de conexões, então vamos ampliar o sentido da palavra.
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