Assédio no Carnaval: como denunciar e buscar ajuda durante a folia

Levantamentos mostram que 45% das brasileiras jå sofreram assédio na folia. Veja como identificar abusos, denunciar e buscar ajuda durante o Carnaval.

Assédio no Carnaval: como denunciar e buscar ajuda durante a folia

Por Catiane Pereira*

O Carnaval, uma das maiores manifestaçÔes culturais do paĂ­s, tambĂ©m expĂ”e um problema recorrente: o aumento dos casos de assĂ©dio e violĂȘncia sexual contra mulheres em meio Ă  festa. Levantamento do Instituto Locomotiva, realizado em fevereiro de 2025, aponta que 45% das brasileiras jĂĄ sofreram algum tipo de assĂ©dio durante o Carnaval, o equivalente a cerca de 38 milhĂ”es de vĂ­timas. O estudo mostra ainda que 78% das mulheres temem voltar a passar por esse tipo de situação.

Durante o Carnaval, os registros mais comuns envolvem beijos forçados, toques sem consentimento, puxĂ”es e abordagens agressivas, alĂ©m da prĂĄtica conhecida como “encoxada”, muitas vezes facilitada pela aglomeração nos blocos.

Autoridades e organizaçÔes recomendam atenção redobrada durante a folia. Entre as orientaçÔes estão evitar trajetos isolados, andar acompanhado, não aceitar bebidas de desconhecidos e identificar pontos de apoio nos blocos.

O que fazer em caso de assédio

A orientação é que a vítima busque ajuda assim que possível, respeitando seus próprios limites. Durante o período carnavalesco, governos estaduais e municipais costumam reforçar estruturas de atendimento, como delegacias móveis, tendas de acolhimento e equipes de orientação em grandes eventos. 

Como denunciar

As denĂșncias tambĂ©m podem ser feitas em todo o paĂ­s pelos seguintes canais:

  • Disque 180 – Central de Atendimento Ă  Mulher, para orientaçÔes e registros de violĂȘncia
  • 190 – PolĂ­cia Militar, em situaçÔes de flagrante ou risco imediato
  • Disque 100 – Canal nacional para denĂșncias de violaçÔes de direitos humanos, que costuma ter reforço durante o Carnaval
  • Delegacias Especializadas de Atendimento Ă  Mulher (DEAMs)
Testemunhas também podem agir

Especialistas destacam que a intervenção de terceiros pode ser decisiva para interromper situaçÔes de violĂȘncia. Abordagens consideradas seguras incluem perguntar Ă  vĂ­tima se ela precisa de ajuda, fingir conhecĂȘ-la para afastĂĄ-la do agressor ou acionar seguranças e policiais.

O que diz a lei

Desde 2018, o Brasil conta com a Lei de Importunação Sexual (Lei nÂș 13.718), que criminaliza atos libidinosos sem consentimento, como beijos forçados e toques invasivos, com pena de um a cinco anos de prisĂŁo. JĂĄ o assĂ©dio sexual ocorre em relaçÔes hierĂĄrquicas (art. 216-A do CĂłdigo Penal), enquanto o estupro envolve violĂȘncia ou grave ameaça (art. 213). Contudo, popularmente, muitos casos de crimes libidinosos sĂŁo nomeados como “assĂ©dio” e  todos devem ser denunciados. 

Em 2024, foi sancionado o protocolo “NĂŁo Ă© NĂŁo”, que obriga casas noturnas, boates e eventos a adotar medidas de proteção e acolhimento a mulheres em situação de risco, diretriz que tambĂ©m orienta açÔes no Carnaval.

*G1 e Veja