Da Copa às Eleições: O País do “Salvador da Pátria”

A despedida do Brasil na Copa nos trouxe de volta uma lição velha e incômoda. Como cantava Belchior, eternizado na voz de Elis Regina: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. É a síntese do Brasil de 2026, ano de Copa e de eleições. Seguimos como nossos pais: parados na arquibancada e na […] O conteúdo Da Copa às Eleições: O País do “Salvador da Pátria” aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Da Copa às Eleições: O País do “Salvador da Pátria”

A despedida do Brasil na Copa nos trouxe de volta uma lição velha e incômoda. Como cantava Belchior, eternizado na voz de Elis Regina: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. É a síntese do Brasil de 2026, ano de Copa e de eleições.

Seguimos como nossos pais: parados na arquibancada e na urna esperando o Salvador da Pátria. Alguém que, sozinho, resolva o jogo, vire o placar e conserte o país com um passe de mágica.

Na seleção, a aposta foi essa. Depositamos toda a sorte nas mãos de um treinador italiano, Ancelotti, como se tática sozinha ganhasse Copa. Esquecemos o básico: técnico não vence jogo, equipe vence. Em campo repetimos o mesmo erro de visão. Torcemos pela genialidade individual de Vinícius Júnior, de Endrick ou do tarimbado Neymar. 

 Esquecemos que futebol se joga com 11 em campo. Do outro lado estava a Noruega. Inferior no papel, mas time. Do goleiro ao atacante era um conjunto. E foi o conjunto que sobrou. Até o Haaland fazer a diferença, porque em equipe o talento individual encontra espaço para decidir, não para carregar sozinho.

Nas últimas eleições fizemos exatamente a mesma coisa. Votamos em pessoas, não em partidos, programas e projetos de país. Elegemos  presidentes como se fossem eles os salvadores, na última eleição por exemplo elegemos um Congresso totalmente desconectado do Executivo. O resultado foi previsível: um país à beira do desgoverno em vários momentos no embate entre centrão e governo.

 O episódio mais simbólico veio a poucos meses, com a indicação de um juíz para o Supremo Tribunal Federal e a rejeição do congresso do nome indicado pelo presidente da Republica,  algo que não acontecia há séculos. É a fotografia de um poder que não joga com o outro, porque nunca foram eleitos para jogar juntos e novamente quem perdeu foi o Brasil

O problema não é torcer por craques. O problema é achar que uma pessoa substitui projeto. Que salvador da pátria substituí plano de governo. Que um homem sozinho segura a defesa, arma o meio e faz o gol. País não se governa no grito e muito menos com um congresso desconexo da governabilidade. Se governa com equipe, com partido que defenda os verdadeiros interesses do povo entre eles, soberania nacional e defesa da democracia.

A lição que fica da Copa e da eleição é a mesma: enquanto continuarmos  esperando um “Salvador da Pátria”, vamos seguir reféns da genialidade de um ou de outro e achando que vamos chegar em algum lugar. Vamos ganhar alguns jogos no talento e perder campeonatos na falta de conjunto.

A lição que fica da copa para as eleições que se avizinha é que o jogo só se vence com equipe. E equipe se constrói antes do apito com plano, com união e com a consciência dura de que ninguém, sozinho, salva pátria nenhuma, seja na copa do mundo ou no campo da democracia.

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