Europa, novamente cumprindo o mesmo papel que cumpriu durante o tráfico negreiro.
No último dia 25 de março (Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos), a Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou – por 123 votos a favor, 52 abstenções e 03 contra – uma resolução histórica. A Assembleia Geral da ONU reconheceu que a escravidão e o tráfico transatlântico […] O conteúdo Europa, novamente cumprindo o mesmo papel que cumpriu durante o tráfico negreiro. aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
No último dia 25 de março (Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos), a Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou – por 123 votos a favor, 52 abstenções e 03 contra – uma resolução histórica.
A Assembleia Geral da ONU reconheceu que a escravidão e o tráfico transatlântico de africanos como “o crime mais grave contra a humanidade.
No entanto, duas grandes surpresas chamaram a atenção nessa votação:
A primeira, o voto contrário da Argentina, pais latino americano, cuja elite racista, pensa que é europeia e se aliou aos Estados Unidos e Israel em seus costumeiros votos contra qualquer tipo de proposta que vise combater o racismo e a discriminação racial no mundo.
A segunda surpresa foi acompanhada de grande frustação e revolta por parte dos países africanos – a abstenção dos países europeus, por meio da União Europeia, que na prática foi uma forma covarde de votar contra a resolução.
Todos imaginavam que os países europeus, beneficiários diretos, ao longo de séculos,da escravidão africana, tivessem a honra e a decência de serem solidários, ao menos uma vez na vida, na aprovação de uma resolução política, que admitisse a escravidão e o tráfico de seres humanos como os maiores crimes da humanidade.
Mas, não foi assim que aconteceu. A Europa continua sendo a mesma Europa do período colonial – cínica e hipócrita, quando os seus interesses estão em jogo.
Países como Alemanha, Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Itália, Espanha, etc. que se locupletaram com a escravidão africana e promoveram seus desenvolvimentos econômicos graças a exploração predatória do continente se abstiveram. E o fizeram de forma covarde, ocultando seus votos via a União Europeia.
Os argumentos foram simples: preocupações com reparações históricas, interpretação da história e a hierarquia de crimes. Ou seja, escravizar, colonizar e matar pode. Reparar, condenar e tipificar esses crimes não.
Na verdade, nessa votação, os países europeus, reeditaram a Conferência de Berlim às avessas.
É sempre bom lembrar que em 1884, na cidade de Berlim, 13 países europeus, mais os Estados Unidos, dividiram o continente africano entre eles, sem que houvesse um único representante da África presente.
E de lá para cá, cometeram toda sorte de crimes em nome da civilização, do progresso e do cristianismo. A exemplo do Rei Leopoldo II da Bélgica, responsável pelo maior genocídio de todos os tempos, que levou à morte aproximadamente 10 milhões de congoleses entre 1885 e 1908.
E o que esses países fizeram agora? se ausentaram da votação da resolução, para não terem que pagar minimamente por seus crimes. Lamentável!
Países que foram responsáveis pelo tráfico transatlântico de mais de 12,5 milhões de pessoas e que levou a morte de mais de 2,5milhões só na travessia e o sofrimento de outros tantos até os dias atuais.
E essa posição de se abster das suas responsabilidades históricas com o continente africano, fica mais inusitada ainda, pois são esses mesmos países que pousam na ONU como defensores dos direitos humanos, mas que não movem uma palha para reparar os crimes hediondos que cometeram na África.
Portanto, se os países africanos e suas populações afrodescendentes mundo afora, não exigirem dos países europeus por reparação, essa resolução da ONU, apesar de sua importância histórica, corre o risco de virar papel queimado
Toca a zabumba que a terra é nossa!
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