Polícia da África do Sul investiga morte a tiros de líder anti-imigração

A comissária nacional em funções do Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS, na sigla em inglês), Puleng Dimpane, nomeou uma equipa multidisciplinar para investigar a morte de Andile Somgaxa, que foi alvejado em 04 de Julho à entrada da sua residência em Joanesburgo (norte) e faleceu em 09 de julho, de acordo com um comunicado divulgado hoje pelos meios de comunicação locais."Dimpane condenou veementemente o ataque e garantiu aos cidadãos que a SAPS não poupará esforços para assegurar que os responsáveis sejam identificados, localizados e levados à justiça", afirmou a porta-voz da polícia, Athlenda Mathe."A nomeação de uma equipa multidisciplinar demonstra a seriedade com que a SAPS está a encarar este assunto. Comprometemo-nos a realizar uma investigação exaustiva para esclarecer as circunstâncias que rodeiam este homicídio e garantir que os responsáveis prestem contas", acrescentou.A polícia anunciou a investigação depois de o porta-voz do 'March and March', Sandile Dube, ter afirmado esta semana que o movimento recebeu "ameaças de morte" em diferentes pontos do país.O 'March and March' é um dos grupos que organizou as marchas anti-imigração que levaram milhares de pessoas às ruas de várias cidades no passado dia 30 de junho, na sequência do aumento da tensão na África do Sul nos últimos meses, devido a uma onda de ataques xenófobos e protestos.Os organizadores, que estabeleceram esse dia como prazo limite para os imigrantes indocumentados abandonarem a África do Sul, culpam estes migrantes pelos problemas económicos do país, pela prestação deficiente de serviços públicos e pelas elevadas taxas de criminalidade, tendo chegado ao ponto de lhes impedir o acesso a cuidados de saúde e à educação em instituições públicas.A crise levou países como a Nigéria, o Zimbábue, o Maláui, o Gana, Moçambique, o Uganda e o Quénia a repatriar dezenas de milhares dos seus cidadãos residentes na África do Sul.Em Moçambique, país que tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, a Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram face à violência.Este país africano de língua oficial portuguesa, vizinho da África do Sul, lamenta a morte de 11 de moçambicanos vítimas destes recentes ataques xenófobos.Moçambique recebeu 1.363 cidadãos repatriados da África do Sul vítimas de xenofobia, além de 6.156 malauianos que entraram no país em trânsito, afetados pela mesma violência, anunciou dia 07 de Julho, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.O Governo sul-africano tem condenado a violência, mas defende o seu direito de controlar a imigração irregular.As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos, especialmente nos bairros mais vulneráveis.A pior onda de violência xenófoba de que há memória ocorreu em 2008, quando mais de 60 pessoas perderam a vida, enquanto os protestos deste tipo mais graves dos últimos tempos tiveram lugar no final de 2019, com pelo menos 18 estrangeiros mortos.Foto: dpeositphotos

Polícia da África do Sul investiga morte a tiros de líder anti-imigração

A comissária nacional em funções do Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS, na sigla em inglês), Puleng Dimpane, nomeou uma equipa multidisciplinar para investigar a morte de Andile Somgaxa, que foi alvejado em 04 de Julho à entrada da sua residência em Joanesburgo (norte) e faleceu em 09 de julho, de acordo com um comunicado divulgado hoje pelos meios de comunicação locais.

"Dimpane condenou veementemente o ataque e garantiu aos cidadãos que a SAPS não poupará esforços para assegurar que os responsáveis sejam identificados, localizados e levados à justiça", afirmou a porta-voz da polícia, Athlenda Mathe.

"A nomeação de uma equipa multidisciplinar demonstra a seriedade com que a SAPS está a encarar este assunto. Comprometemo-nos a realizar uma investigação exaustiva para esclarecer as circunstâncias que rodeiam este homicídio e garantir que os responsáveis prestem contas", acrescentou.

A polícia anunciou a investigação depois de o porta-voz do 'March and March', Sandile Dube, ter afirmado esta semana que o movimento recebeu "ameaças de morte" em diferentes pontos do país.

O 'March and March' é um dos grupos que organizou as marchas anti-imigração que levaram milhares de pessoas às ruas de várias cidades no passado dia 30 de junho, na sequência do aumento da tensão na África do Sul nos últimos meses, devido a uma onda de ataques xenófobos e protestos.

Os organizadores, que estabeleceram esse dia como prazo limite para os imigrantes indocumentados abandonarem a África do Sul, culpam estes migrantes pelos problemas económicos do país, pela prestação deficiente de serviços públicos e pelas elevadas taxas de criminalidade, tendo chegado ao ponto de lhes impedir o acesso a cuidados de saúde e à educação em instituições públicas.

A crise levou países como a Nigéria, o Zimbábue, o Maláui, o Gana, Moçambique, o Uganda e o Quénia a repatriar dezenas de milhares dos seus cidadãos residentes na África do Sul.

Em Moçambique, país que tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, a Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram face à violência.

Este país africano de língua oficial portuguesa, vizinho da África do Sul, lamenta a morte de 11 de moçambicanos vítimas destes recentes ataques xenófobos.

Moçambique recebeu 1.363 cidadãos repatriados da África do Sul vítimas de xenofobia, além de 6.156 malauianos que entraram no país em trânsito, afetados pela mesma violência, anunciou dia 07 de Julho, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.

O Governo sul-africano tem condenado a violência, mas defende o seu direito de controlar a imigração irregular.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos, especialmente nos bairros mais vulneráveis.

A pior onda de violência xenófoba de que há memória ocorreu em 2008, quando mais de 60 pessoas perderam a vida, enquanto os protestos deste tipo mais graves dos últimos tempos tiveram lugar no final de 2019, com pelo menos 18 estrangeiros mortos.

Foto: dpeositphotos