Thelma Assis se despede da Mocidade Alegre após 21 anos na escola: “Ser sambista é um privilégio”

Médica e apresentadora encerra trajetória de mais de duas décadas na atual campeã do Carnaval de São Paulo. Da bateria à comissão de frente, Thelminha construiu sua história dentro da Morada do Samba muito antes da projeção nacional. Muito antes de o Brasil conhecer Thelma Assis como campeã de reality show, médica e apresentadora, havia […] O conteúdo Thelma Assis se despede da Mocidade Alegre após 21 anos na escola: “Ser sambista é um privilégio” aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Thelma Assis se despede da Mocidade Alegre após 21 anos na escola: “Ser sambista é um privilégio”

Médica e apresentadora encerra trajetória de mais de duas décadas na atual campeã do Carnaval de São Paulo. Da bateria à comissão de frente, Thelminha construiu sua história dentro da Morada do Samba muito antes da projeção nacional.

Muito antes de o Brasil conhecer Thelma Assis como campeã de reality show, médica e apresentadora, havia uma outra Thelminha que já fazia parte de sua identidade: a sambista.

Depois de 21 anos de uma relação construída dentro e fora do Sambódromo do Anhembi, Thelma anunciou nesta terça-feira (1º) sua saída da Mocidade Alegre, uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo e atual campeã do Carnaval paulistano.

A despedida encerra um ciclo que atravessou diferentes momentos da vida da apresentadora — inclusive aqueles em que a fama ainda parecia distante.

Thelma chegou à escola aos 18 anos. Começou na bateria, tocando ganzá, e ao longo dos anos ocupou diferentes espaços dentro da agremiação. Foi passista, esteve em carros alegóricos, tornou-se destaque de chão e chegou à comissão de frente.

Foi uma trajetória construída passo a passo.

Ao anunciar sua saída, Thelminha fez questão de lembrar justamente desse caminho e das muitas versões de si mesma que passaram pela escola.

“Foram 21 anos fazendo parte dessa escola, onde construí grande parte da minha trajetória como sambista; fui ritmista, passista, destaque de chão e destaque da comissão de frente”, escreveu.

Uma relação que veio antes da fama

A ligação de Thelma com o Carnaval começou ainda na infância.

Criada no bairro do Limão, na Zona Norte de São Paulo, ela já contou que costumava assistir aos desfiles colocando uma cadeira de praia no quintal de casa. Naquele momento, imaginava como seria estar na avenida.

Anos depois, não apenas chegaria ao Sambódromo como construiria ali uma história de mais de duas décadas.

A projeção nacional conquistada em 2020 mudou sua vida profissional, mas não interrompeu sua relação com a Mocidade Alegre. Pelo contrário: Thelma continuou desfilando e ganhou ainda mais destaque dentro da escola.

Em 2026, viveu um dos capítulos mais simbólicos dessa trajetória.

Léa Garcia e uma despedida histórica

No Carnaval deste ano, Thelma integrou a comissão de frente da Mocidade Alegre representando a atriz Léa Garcia, homenageada pela escola no enredo dedicado à trajetória de uma das grandes referências negras das artes brasileiras.

A apresentação terminou em título.

A Mocidade Alegre conquistou seu 13º campeonato no Grupo Especial de São Paulo. Para Thelma, a vitória teve um sabor ainda mais especial: foi seu oitavo título acompanhando a escola.

Sem que o público soubesse naquele momento, aquele acabaria sendo também seu último desfile pela agremiação.

Agora, meses depois da conquista, ela encerra o ciclo deixando claro que a despedida não apaga o pertencimento construído durante todos esses anos.

“Muitas emoções, desfiles inesquecíveis, mas ciclos se encerram e o que mais me deixa tranquila é sair com a certeza de que a nossa história juntos tem vários capítulos lindos para serem lembrados”, afirmou.

E resumiu sua relação com a escola em uma frase: “Ser sambista é um privilégio e ter pertencido à Mocidade Alegre sempre será motivo de orgulho.”

O samba como parte de uma identidade

A trajetória de Thelma também ajuda a lembrar algo que muitas vezes se perde quando personalidades negras alcançam projeção nacional: existem histórias, comunidades e pertencimentos construídos muito antes dos holofotes.

No caso dela, o samba não surgiu como consequência da fama.

Veio antes.

Esteve presente enquanto Thelma estudava Medicina, quando precisava fazer as contas para conseguir desfilar, quando ainda era uma jovem passista e quando seu rosto ainda não era conhecido em todo o país.

A fama mudou o tamanho dos holofotes, mas não criou sua relação com o Carnaval.

Aos 41 anos, Thelma fecha uma história de 21 anos com a Morada do Samba sem revelar, até o momento, se pretende defender outra escola no Carnaval de 2027.

Independentemente do próximo passo, uma coisa permanece: entre tantos títulos que passaram a acompanhar seu nome, existe um que ela conquistou muito antes da televisão.

Sambista.

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