June Freedom quer explorar mais os ritmos cabo-verdianos e levá-los ao mundo

Nomeado em quatro categorias na 15ª edição dos Cabo Verde Music Awards (CVMA), June Freedom diz receber as distinções com orgulho, mas garante que a sua motivação vai muito além dos prémios.“Não faço música para números ou prémios, mas é sempre bonito receber carinho das pessoas. Sabendo que estou a concorrer para os prémios na minha terra, é sempre muito bom. Porque Cabo Verde é sempre um ponto forte em tudo”, realça.Após uma década a escrever para outros artistas e a construir uma carreira entre os Estados Unidos e Cabo Verde, June decidiu lançar-se no mundo da música por inteiro.“Comecei a escrever primeiro e, após algum tempo, decidi cantar. Sempre gostei de cantar. Aos 15 anos, ia para os restaurantes Cesária Évora e Saudade para cantar mornas e coladeiras”, conta.O artista afirma que está cada vez mais ligado às suas raízes, numa fase marcada pela redescoberta da morna, do batuque e de outros ritmos tradicionais cabo-verdianos.“Sempre fui apaixonado pela música, mas foi por causa do Ildo Lobo que fiquei a cantar, e cheguei mesmo a participar no Todo Mundo Canta em todas as ilhas. Fui para Portugal com 12/13 anos para cantar em Fátima, mornas e coladeiras interpretadas por Ildo Lobo”, relata.Cresceu na Cidade da Praia, depois foi para a ilha do Fogo. Aos 15 anos, o artista conta que foi para os Estados Unidos da América, e a sua referência era a morna e a coladeira.“E não sabia quem eram Jimi Hendrix e Prince. Claro que, em Cabo Verde, Michael Jackson e Bob Marley... consumíamos muito as músicas deles, mas os outros artistas já não.”June realçou que, depois de se afastar das músicas tradicionais cabo-verdianas, enveredou pelo R&B, mas isso fez parte da sua evolução, porque queria aprender outros géneros musicais.“Imagina um crioulo cabo-verdiano nos Estados Unidos, a estudar e a cantar morna e coladeira. Eles diziam: ‘Isso é o quê?’. Mas foi uma grande referência, depois que migrei para Nova Iorque”, cita.O artista disse que foi lá que aprendeu a tocar guitarra e a cantar numa estação de comboio com um brasileiro mais velho do que ele.“Imagina, levava instrumentos para tocar com ele na estação. E era isso que ele fazia para ganhar dinheiro. Eu trabalhava como bartender. Nos dias em que podia ir com ele, cantávamos juntos e era quando fazíamos mais dinheiro. Ele era um conselheiro. Um tio para mim. Ele ensinava-me a cantar com força, porque nas estações de comboio, se não cantares, as pessoas não te vão ouvir, porque há muito barulho. Ele ensinou-me a tocar guitarra e muitas outras coisas, e logo o meu estilo de música começou a mudar”.ProjectoCom três álbuns editados, “Anchor Baby” (2021), “7SEAS” (2023) e “Casa Mira Mar” (2025), June Freedom considera que a sua carreira ainda está no início.“Estou com vontade de explorar mais. Neste momento, estou a fazer muita pesquisa sobre o que aconteceu na música nos anos 60, 70 e 80. A história de Cesária Évora, para saber como é que ela fez a sua carreira. E estou a pegar muito nas coisas mais tradicionais”, garante.Actualmente, o artista dedica-se a pesquisar a história da música cabo-verdiana.“E na música, para mim, agora é só explorar. Quero explorar mais os ritmos cabo-verdianos. Mesmo que faça fusão com sonoridades mais R&B ou hip hop, vou trazer uma melodia e um ritmo que vou combinar com baterias mais electrónicas. Enfim, estou a explorar muito”.Naturalmente ligado à música desde a infância, o artista recorda que foi no restaurante da mãe, na ilha do Fogo, que deu os primeiros passos no palco.Mais tarde, a mudança para os Estados Unidos levou-o a explorar novos géneros musicais, aprender guitarra nas ruas e estações de comboio de Nova Iorque e aprofundar conhecimentos sobre composição e produção musical.A passagem por Los Angeles abriu-lhe portas para sessões de escrita destinadas a grandes nomes da música internacional, como Rihanna e The Weeknd. Apesar dessas experiências, June Freedom nunca deixou de utilizar referências cabo-verdianas nas suas composições, apresentando frequentemente artistas como Cesária Évora e Mayra Andrade como inspiração para melodias e arranjos.O mais recente álbum, “Casa Mira Mar”, representa precisamente esse regresso às origens. Inspirado nas memórias familiares e na ligação à ilha do Fogo, o projecto revela uma faceta mais intimista do músico, que pretende continuar a explorar a riqueza dos ritmos cabo-verdianos através de novas fusões musicais.“A minha missão não são números nem fama. Para mim, tenho que fazer algo. Durante muito tempo não lancei as minhas próprias músicas, porque estava mais focado em fazer para os outros e aprender com os outros. Agora tenho muito dentro de mim que preciso de explorar”, assegura.Além dos projectos discográficos, o artista prepara novos concertos e espera regressar mais vezes aos palcos nacionais.Depois de actuar em cidades como Londres, Paris, Amesterdão, Roterdão, Lisboa, Zurique e Luxemburgo, June Freedom diz sentir sempre o carinho do público cabo-verdiano.“A minha missão é colocar Ca

June Freedom quer explorar mais os ritmos cabo-verdianos e levá-los ao mundo

Nomeado em quatro categorias na 15ª edição dos Cabo Verde Music Awards (CVMA), June Freedom diz receber as distinções com orgulho, mas garante que a sua motivação vai muito além dos prémios.

“Não faço música para números ou prémios, mas é sempre bonito receber carinho das pessoas. Sabendo que estou a concorrer para os prémios na minha terra, é sempre muito bom. Porque Cabo Verde é sempre um ponto forte em tudo”, realça.

Após uma década a escrever para outros artistas e a construir uma carreira entre os Estados Unidos e Cabo Verde, June decidiu lançar-se no mundo da música por inteiro.

“Comecei a escrever primeiro e, após algum tempo, decidi cantar. Sempre gostei de cantar. Aos 15 anos, ia para os restaurantes Cesária Évora e Saudade para cantar mornas e coladeiras”, conta.

O artista afirma que está cada vez mais ligado às suas raízes, numa fase marcada pela redescoberta da morna, do batuque e de outros ritmos tradicionais cabo-verdianos.

“Sempre fui apaixonado pela música, mas foi por causa do Ildo Lobo que fiquei a cantar, e cheguei mesmo a participar no Todo Mundo Canta em todas as ilhas. Fui para Portugal com 12/13 anos para cantar em Fátima, mornas e coladeiras interpretadas por Ildo Lobo”, relata.

Cresceu na Cidade da Praia, depois foi para a ilha do Fogo. Aos 15 anos, o artista conta que foi para os Estados Unidos da América, e a sua referência era a morna e a coladeira.

“E não sabia quem eram Jimi Hendrix e Prince. Claro que, em Cabo Verde, Michael Jackson e Bob Marley... consumíamos muito as músicas deles, mas os outros artistas já não.”

June realçou que, depois de se afastar das músicas tradicionais cabo-verdianas, enveredou pelo R&B, mas isso fez parte da sua evolução, porque queria aprender outros géneros musicais.

“Imagina um crioulo cabo-verdiano nos Estados Unidos, a estudar e a cantar morna e coladeira. Eles diziam: ‘Isso é o quê?’. Mas foi uma grande referência, depois que migrei para Nova Iorque”, cita.

O artista disse que foi lá que aprendeu a tocar guitarra e a cantar numa estação de comboio com um brasileiro mais velho do que ele.

“Imagina, levava instrumentos para tocar com ele na estação. E era isso que ele fazia para ganhar dinheiro. Eu trabalhava como bartender. Nos dias em que podia ir com ele, cantávamos juntos e era quando fazíamos mais dinheiro. Ele era um conselheiro. Um tio para mim. Ele ensinava-me a cantar com força, porque nas estações de comboio, se não cantares, as pessoas não te vão ouvir, porque há muito barulho. Ele ensinou-me a tocar guitarra e muitas outras coisas, e logo o meu estilo de música começou a mudar”.

Projecto

Com três álbuns editados, “Anchor Baby” (2021), “7SEAS” (2023) e “Casa Mira Mar” (2025), June Freedom considera que a sua carreira ainda está no início.

“Estou com vontade de explorar mais. Neste momento, estou a fazer muita pesquisa sobre o que aconteceu na música nos anos 60, 70 e 80. A história de Cesária Évora, para saber como é que ela fez a sua carreira. E estou a pegar muito nas coisas mais tradicionais”, garante.

Actualmente, o artista dedica-se a pesquisar a história da música cabo-verdiana.

“E na música, para mim, agora é só explorar. Quero explorar mais os ritmos cabo-verdianos. Mesmo que faça fusão com sonoridades mais R&B ou hip hop, vou trazer uma melodia e um ritmo que vou combinar com baterias mais electrónicas. Enfim, estou a explorar muito”.

Naturalmente ligado à música desde a infância, o artista recorda que foi no restaurante da mãe, na ilha do Fogo, que deu os primeiros passos no palco.

Mais tarde, a mudança para os Estados Unidos levou-o a explorar novos géneros musicais, aprender guitarra nas ruas e estações de comboio de Nova Iorque e aprofundar conhecimentos sobre composição e produção musical.

A passagem por Los Angeles abriu-lhe portas para sessões de escrita destinadas a grandes nomes da música internacional, como Rihanna e The Weeknd. Apesar dessas experiências, June Freedom nunca deixou de utilizar referências cabo-verdianas nas suas composições, apresentando frequentemente artistas como Cesária Évora e Mayra Andrade como inspiração para melodias e arranjos.

O mais recente álbum, “Casa Mira Mar”, representa precisamente esse regresso às origens. Inspirado nas memórias familiares e na ligação à ilha do Fogo, o projecto revela uma faceta mais intimista do músico, que pretende continuar a explorar a riqueza dos ritmos cabo-verdianos através de novas fusões musicais.

“A minha missão não são números nem fama. Para mim, tenho que fazer algo. Durante muito tempo não lancei as minhas próprias músicas, porque estava mais focado em fazer para os outros e aprender com os outros. Agora tenho muito dentro de mim que preciso de explorar”, assegura.

Além dos projectos discográficos, o artista prepara novos concertos e espera regressar mais vezes aos palcos nacionais.

Depois de actuar em cidades como Londres, Paris, Amesterdão, Roterdão, Lisboa, Zurique e Luxemburgo, June Freedom diz sentir sempre o carinho do público cabo-verdiano.

“A minha missão é colocar Cabo Verde no mundo. Somos um povo muito rico e a música é um dos nossos maiores patrimónios”, afirma.

June manifesta o desejo de participar em festivais como a Gamboa e a Baía das Gatas.

“Quero fazer mais shows em Cabo Verde. Para isso, preciso de convite. Já fiz shows no Festival de Santa Maria, na ilha do Sal, e estou à espera de convite para fazer espectáculos no Festival da Gamboa, na Praia, e no Festival Baía das Gatas, em São Vicente”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1279 de 03 de Junho de 2026.