Médio Oriente: Banco Mundial corta crescimento de todos os PALOP devido à guerra

No relatório sobre as Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgado em Washington, o Banco Mundial prevê que Angola cresça 2,4%, o que representa um corte de 0,2 pontos percentuais à anterior previsão, de janeiro, com o arquipélago de Cabo Verde a ver a sua expansão económica cortada em 0,4 pontos, de 5,2% para 4,8% este ano.Com uma quebra mais acentuada, a Guiné Equatorial deverá voltar à recessão económica este ano, com a economia a cair 3,5% devido aos 3,9 pontos de revisão em baixa estimados pelo Banco Mundial, que prevê também que a Guiné-Bissau cresça apenas 4,8%, uma revisão de 0,4 pontos face à estimativa anterior de 5,2%.Moçambique, que esteve em recessão no ano passado devido aos efeitos da violência pós-eleitoral no final de 2024, deverá crescer apenas 0,9%, já que os economistas do Banco Mundial cortaram a estimativa em 1,9 pontos.Por último, São Tomé e Príncipe deverá registar um crescimento de 2,9%, uma quebra de 1,1 pontos face à estimativa de janeiro, que apontava para uma expansão de 4% desta economia insular.No conjunto da região, o Banco Mundial prevê um crescimento de 4%, abaixo dos 4,3% previstos em janeiro, devendo a economia da África subsaariana em 2027 e 2028 acelerar ligeiramente para 4,4% e 4,5%, o que compara com os 4,1% registados no ano passado.No relatório, o Banco Mundial alerta para um "provável agravamento do problema da insegurança alimentar" e para rendimentos agrícolas mais baixos devido à redução do uso de fertilizantes, que poderá resultar "numa escassez de alimentos na segunda metade de 2026 e em 2027".Na análise sobre a África subsaariana, os economistas do Banco Mundial dizem que "os governos da região têm tido mais limitações nas suas respostas de política do que os de outras regiões".Alertam que os "dados preliminares indicam que o processo de desinflação pode ter estagnado e que a taxa anual de inflação global no consumo voltou a acelerar em abril", apesar das medidas tomadas pelos governos para proteger os mais vulneráveis, como os adiamentos nas reformas de subsídios planeadas em Angola.O impacto negativo do conflito no Médio Oriente deverá "superar os atuais motores de crescimento, incluindo reformas estruturais e acordos comerciais recentes que apoiam o investimento e as exportações", lê-se no documento, referindo que "as perspetivas assumem que o ambiente geopolítico se estabiliza a curto prazo e que a segurança melhora nas economias dos países em desenvolvimento da região".Apesar de uma melhoria a curto prazo nos países exportadores de petróleo, como Angola e Nigéria, o Banco Mundial alerta que a generalidade dos países africanos vai enfrentar condições macroeconómicas mais desafiantes, a começar por uma subida dos preços e pelo aumento dos custos dos fatores de produção.A nível das finanças públicas, já confrontadas com pouca margem, o relatório prevê um impacto forte no esforço que os governos tinham feito nos últimos anos para melhorar a posição orçamental, o que irá "aumentar os défices e o endividamento, reduzindo o apoio às famílias vulneráveis e agravando os riscos macroeconómicos".Como tem sido habitual, os economistas do Banco Mundial alertam ainda que o crescimento do PIB ‘per capita’ deverá manter-se em 1,6%, estabilizando nos 2% até 2028, mas este ritmo "continua a ser insuficiente para proporcionar reduções substanciais da pobreza extrema", a que acresce o problema da criação de emprego na região ser insuficiente para acomodar a expansão da força de trabalho, originando mais desemprego.A nível global, o Banco Mundial prevê que o crescimento desacelere para 2,5% este ano, devido ao conflito no Médio Oriente, que está a "elevar os preços da energia, alimentar a inflação e aumentar os custos de financiamento em todo o mundo", lê-se no documento, o que, a concretizar-se, seria a taxa mais fraca desde o início da covid-19.Foto:: Depositphotos

Médio Oriente: Banco Mundial corta crescimento de todos os PALOP devido à guerra

No relatório sobre as Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgado em Washington, o Banco Mundial prevê que Angola cresça 2,4%, o que representa um corte de 0,2 pontos percentuais à anterior previsão, de janeiro, com o arquipélago de Cabo Verde a ver a sua expansão económica cortada em 0,4 pontos, de 5,2% para 4,8% este ano.

Com uma quebra mais acentuada, a Guiné Equatorial deverá voltar à recessão económica este ano, com a economia a cair 3,5% devido aos 3,9 pontos de revisão em baixa estimados pelo Banco Mundial, que prevê também que a Guiné-Bissau cresça apenas 4,8%, uma revisão de 0,4 pontos face à estimativa anterior de 5,2%.

Moçambique, que esteve em recessão no ano passado devido aos efeitos da violência pós-eleitoral no final de 2024, deverá crescer apenas 0,9%, já que os economistas do Banco Mundial cortaram a estimativa em 1,9 pontos.

Por último, São Tomé e Príncipe deverá registar um crescimento de 2,9%, uma quebra de 1,1 pontos face à estimativa de janeiro, que apontava para uma expansão de 4% desta economia insular.

No conjunto da região, o Banco Mundial prevê um crescimento de 4%, abaixo dos 4,3% previstos em janeiro, devendo a economia da África subsaariana em 2027 e 2028 acelerar ligeiramente para 4,4% e 4,5%, o que compara com os 4,1% registados no ano passado.

No relatório, o Banco Mundial alerta para um "provável agravamento do problema da insegurança alimentar" e para rendimentos agrícolas mais baixos devido à redução do uso de fertilizantes, que poderá resultar "numa escassez de alimentos na segunda metade de 2026 e em 2027".

Na análise sobre a África subsaariana, os economistas do Banco Mundial dizem que "os governos da região têm tido mais limitações nas suas respostas de política do que os de outras regiões".

Alertam que os "dados preliminares indicam que o processo de desinflação pode ter estagnado e que a taxa anual de inflação global no consumo voltou a acelerar em abril", apesar das medidas tomadas pelos governos para proteger os mais vulneráveis, como os adiamentos nas reformas de subsídios planeadas em Angola.

O impacto negativo do conflito no Médio Oriente deverá "superar os atuais motores de crescimento, incluindo reformas estruturais e acordos comerciais recentes que apoiam o investimento e as exportações", lê-se no documento, referindo que "as perspetivas assumem que o ambiente geopolítico se estabiliza a curto prazo e que a segurança melhora nas economias dos países em desenvolvimento da região".

Apesar de uma melhoria a curto prazo nos países exportadores de petróleo, como Angola e Nigéria, o Banco Mundial alerta que a generalidade dos países africanos vai enfrentar condições macroeconómicas mais desafiantes, a começar por uma subida dos preços e pelo aumento dos custos dos fatores de produção.

A nível das finanças públicas, já confrontadas com pouca margem, o relatório prevê um impacto forte no esforço que os governos tinham feito nos últimos anos para melhorar a posição orçamental, o que irá "aumentar os défices e o endividamento, reduzindo o apoio às famílias vulneráveis e agravando os riscos macroeconómicos".

Como tem sido habitual, os economistas do Banco Mundial alertam ainda que o crescimento do PIB ‘per capita’ deverá manter-se em 1,6%, estabilizando nos 2% até 2028, mas este ritmo "continua a ser insuficiente para proporcionar reduções substanciais da pobreza extrema", a que acresce o problema da criação de emprego na região ser insuficiente para acomodar a expansão da força de trabalho, originando mais desemprego.

A nível global, o Banco Mundial prevê que o crescimento desacelere para 2,5% este ano, devido ao conflito no Médio Oriente, que está a "elevar os preços da energia, alimentar a inflação e aumentar os custos de financiamento em todo o mundo", lê-se no documento, o que, a concretizar-se, seria a taxa mais fraca desde o início da covid-19.

Foto:: Depositphotos