Reginaldo Prandi lança livro com relatos inéditos de terreiros
Em livro da Pallas, o sociólogo reúne 16 casos vividos em terreiros que ficaram fora de suas pesquisas; duas histórias são ficção e o leitor deve achá-las. Em “Histórias de terreiro que a gente não conta”, lançado pela Pallas Editora, o sociólogo narra 16 episódios insólitos que presenciou em casas de religiões afro-brasileiras; dois deles […] O post Reginaldo Prandi lança livro com relatos inéditos de terreiros apareceu primeiro em Mundo Negro.
Em livro da Pallas, o sociólogo reúne 16 casos vividos em terreiros que ficaram fora de suas pesquisas; duas histórias são ficção e o leitor deve achá-las.
Em “Histórias de terreiro que a gente não conta”, lançado pela Pallas Editora, o sociólogo narra 16 episódios insólitos que presenciou em casas de religiões afro-brasileiras; dois deles são ficção, e o leitor é desafiado a descobrir quais
O sociólogo Reginaldo Prandi, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), lança pela Pallas Editora o livro “Histórias de terreiro que a gente não conta”, que reúne 16 casos vividos ou testemunhados por ele em terreiros de religiões afro-brasileiras durante meio século de pesquisa. Com ilustrações de Breno Loeser, a obra tem 160 páginas e custa R$ 67.
Ao longo das décadas em que frequentou terreiros para entender como essas religiões funcionam e se transformam, Prandi se dedicou a identificar o que se repetia, como ritos, crenças e comportamentos recorrentes que sustentavam suas interpretações científicas. Enquanto estudava a regra, o pesquisador também anotava e guardava episódios que escapavam dela, situações contraditórias, engraçadas ou sem explicação que dificilmente caberiam em uma tese ou em um trabalho acadêmico, e é esse material deixado de fora de seus textos oficiais que chega agora ao público.
No novo livro, o autor abre mão da obrigação de explicar tudo o que viu e avisa, já na introdução, que “aqui não há ciência; prefiro pensar que há sentimento”. Os casos mostram momentos em que a norma religiosa é quebrada, em que o inesperado altera o curso de um ritual e em que humanos e divindades parecem trocar de lugar. Para Prandi, essas narrativas podem levar à descoberta de um conjunto de valores e regras mágicas que continuam presentes nas pessoas, com ou sem religião.
Um jogo com o leitor
Logo nas primeiras páginas, Prandi avisa que alterou os nomes das pessoas e dos lugares, mas que os acontecimentos narrados são verdadeiros, com uma exceção. Duas das 16 histórias foram criadas por ele a partir de situações que presenciou em terreiros, e o autor não revela quais são, deixando ao leitor a tarefa de identificá-las. Segundo ele, as duas ficções são “inteiramente plausíveis” dentro do conjunto.
O humor atravessa boa parte do livro e muitas vezes tem o próprio narrador como alvo. Em vez de se apresentar como especialista infalível diante de um universo que conhece há décadas, Prandi registra os próprios erros, estranhamentos e surpresas, e passa a ocupar também o lugar de personagem e contador de casos.
As ilustrações em preto e branco de Breno Loeser, que também assina a capa, acompanham as narrativas com texturas, contrastes e formas que evocam o universo simbólico dos casos, sem a intenção de funcionar como registro documental. Nos agradecimentos, Prandi afirma que o artista “pôs em figuras” o que ele tentou transmitir em palavras. Nascido em Sergipe, Loeser é ilustrador, designer e mestre em Ciências da Religião, e desenvolve um trabalho voltado à cultura, à espiritualidade e à identidade afro-brasileira.
Quem é Reginaldo Prandi
Natural de Potirendaba, no interior paulista, Reginaldo Prandi vive em São Paulo desde 1964 e atua como professor titular sênior do Departamento de Sociologia da USP e pesquisador-bolsista sênior do CNPq. É autor de mais de 30 livros sobre mitologia afro-brasileira e indígena, sociologia, ficção e literatura infantojuvenil, entre eles “Mitologia dos orixás”, “Ifá, o Adivinho”, “Ogum” e “Orixás: os deuses que habitam em nós”.
Indicado quatro vezes ao Prêmio Jabuti, o sociólogo venceu o Prêmio Jabuti Acadêmico em 2026 com “Brasil africano”, também publicado pela Pallas. Recebeu ainda o Prêmio Érico Vannucci Mendes, em 2001, o Prêmio Cátedra 10 da Unesco, em 2017, e o Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica em Sociologia, em 2025.
SERVIÇO
Livro: Histórias de terreiro que a gente não conta
Autor: Reginaldo Prandi
Ilustrações: Breno Loeser
Editora: Pallas Editora
Páginas: 160
Preço: R$ 67
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