Oposição diz que Orçamento Rectificativo contraria discurso do Governo sobre finanças públicas e teme aumento de impostos
“Disseram que herdaram um “país à deriva”. Disseram que encontraram os “cofres vazios”. Disseram que receberam um Estado “dilapidado”. Mas o próprio Orçamento, que eles escreveram, diz outra coisa. Diz que: Cabo Verde dispõe de reservas externas superiores a 1,2 mil milhões de euros, suficientes para cobrir cerca de 8,4 meses de importações, o nível mais elevado da nossa história. Diz que o Tesouro dispõe de cerca de três milhões de contos de saldo. Diz que as receitas do Estado superaram a previsão inicial em cerca de cinco milhões de contos e que continuarão a crescer. Diz, ainda, que o país tem em execução uma carteira de investimentos de cerca de mil milhões de euros”, discursou Luís Carlos Silva durante a discussão e votação da proposta de lei que aprova o Orçamento Retificativo para o ano 2026.Para Luís Carlos Silva, o Governo acabou por reconhecer, através do Orçamento Rectificativo, que recebeu um país com uma situação financeira mais favorável do que aquela que vinha sendo apresentada.O líder parlamentar do MpD considerou, por isso, que o debate deixou de incidir sobre o legado do anterior Executivo e deve concentrar-se nas opções do novo Governo.Entre essas escolhas, apontou o aumento da despesa pública em cerca de oito milhões de contos, criticando a ausência de medidas destinadas a reforçar a capacidade produtiva da economia e a gerar novas receitas para o Estado.“O Governo não apresenta uma única reforma estrutural para aumentar a capacidade produtiva da economia. Não apresenta medidas para criar novas fontes de rendimento. Não apresenta uma estratégia para aumentar a capacidade do Estado de gerar receitas”, apontou.Segundo Luís Carlos Silva, depois de utilizar o espaço orçamental existente, o Executivo optou por aumentar o défice, o que, na sua perspectiva, representa um adiamento dos encargos para o futuro.“Quando se aumenta o défice hoje, está-se, na verdade, a transferir a conta para amanhã”. O deputado defendeu que a visão do MpD assenta na criação de riqueza antes da sua distribuição, como forma de assegurar a sustentabilidade das políticas sociais.UCID“Entendeu-se aqui apresentar este orçamento às pressas, de forma que esperemos que tudo corra bem. Nós temos um orçamento rectificativo que faz uma revisão dos impostos em 10,2%, uma revisão do imposto sobre rendimento, incluindo o TEI, em 11,9%, uma revisão do imposto sobre bens e serviços em 13,9% e o IVA em 11,6%”, indicou João Santos Luís.O deputado observou igualmente que a proposta contempla uma redução dos donativos, mas pediu que a revisão das receitas não implique uma maior carga fiscal“Reduz também os donativos em 374 mil contos. Bem, a revisão desses impostos nós estamos esperançados que não venha a, portanto, não é no sentido de aumentar os impostos”.Na perspectiva da UCID, não faria sentido um aumento de impostos numa altura em que o país já entrou na segunda metade do ano.Além da preocupação com a evolução das receitas fiscais, João Santos Luís chamou a atenção para o aumento da despesa previsto na proposta de orçamento rectificativo.“De forma que é, de facto, um acréscimo de 8 milhões de contos. Portanto, o Governo não pode aqui dizer aos cabo-verdianos que não está a aumentar a despesa pública, porque a despesa, de acordo com o orçamento inicial aprovado, aumenta em 8 milhões de contos e a dívida pública sai de 317 milhões de contos para 307 milhões de contos”, disse.Na Saúde, a UCID defendeu ainda o aumento do plafond anual destinado à comparticipação de medicamentos para os idosos.PAICV“É preciso que fique claro para todos os cabo-verdianos que o PAICV não está a aumentar as despesas públicas. O orçamento inicialmente previsto e aprovado na Assembleia Nacional fixava a despesa em 95,7 mil milhões de escudos. As alterações realizadas nos primeiros meses do ano elevaram este montante para uma projecção de 104,11 mil milhões de escudos”, garantiu Carla Lima.A líder parlamentar do PAICV atribuiu o aumento da projecção ao anterior Governo do MPD, alegando que o actual executivo encontrou compromissos sem cobertura orçamental e verbas já praticamente esgotadas. “Reafirmamos que 8,3 mil milhões na projecção foi introduzido pelo Governo do MpD”, declarou.Carla Lima apontou como exemplos áreas como a habitação, apoio às famílias e educação, onde, segundo afirmou, parte significativa das dotações previstas já tinha sido utilizada antes da entrada em funções do novo Governo. “O novo Governo encontrou também compromissos sem cobertura orçamental e dotações anuais esgotadas ou praticamente esgotadas”, disse.A deputada acusou ainda o anterior executivo de transformar direitos dos cidadãos em instrumentos políticos durante a campanha eleitoral. “Quem precisa de habitação, de alimentos ou de uma bolsa de estudo está a exercer um direito a solicitar isso ao Governo. Mas não deve voto a ninguém”, disse.Sobre o orçamento rectificativo, Carla Lima garantiu que o documento permitirá ao Governo iniciar a execução do seu programa, com medi
“Disseram que herdaram um “país à deriva”. Disseram que encontraram os “cofres vazios”. Disseram que receberam um Estado “dilapidado”. Mas o próprio Orçamento, que eles escreveram, diz outra coisa. Diz que: Cabo Verde dispõe de reservas externas superiores a 1,2 mil milhões de euros, suficientes para cobrir cerca de 8,4 meses de importações, o nível mais elevado da nossa história. Diz que o Tesouro dispõe de cerca de três milhões de contos de saldo. Diz que as receitas do Estado superaram a previsão inicial em cerca de cinco milhões de contos e que continuarão a crescer. Diz, ainda, que o país tem em execução uma carteira de investimentos de cerca de mil milhões de euros”, discursou Luís Carlos Silva durante a discussão e votação da proposta de lei que aprova o Orçamento Retificativo para o ano 2026.
Para Luís Carlos Silva, o Governo acabou por reconhecer, através do Orçamento Rectificativo, que recebeu um país com uma situação financeira mais favorável do que aquela que vinha sendo apresentada.
O líder parlamentar do MpD considerou, por isso, que o debate deixou de incidir sobre o legado do anterior Executivo e deve concentrar-se nas opções do novo Governo.
Entre essas escolhas, apontou o aumento da despesa pública em cerca de oito milhões de contos, criticando a ausência de medidas destinadas a reforçar a capacidade produtiva da economia e a gerar novas receitas para o Estado.
“O Governo não apresenta uma única reforma estrutural para aumentar a capacidade produtiva da economia. Não apresenta medidas para criar novas fontes de rendimento. Não apresenta uma estratégia para aumentar a capacidade do Estado de gerar receitas”, apontou.
Segundo Luís Carlos Silva, depois de utilizar o espaço orçamental existente, o Executivo optou por aumentar o défice, o que, na sua perspectiva, representa um adiamento dos encargos para o futuro.
“Quando se aumenta o défice hoje, está-se, na verdade, a transferir a conta para amanhã”. O deputado defendeu que a visão do MpD assenta na criação de riqueza antes da sua distribuição, como forma de assegurar a sustentabilidade das políticas sociais.
UCID
“Entendeu-se aqui apresentar este orçamento às pressas, de forma que esperemos que tudo corra bem. Nós temos um orçamento rectificativo que faz uma revisão dos impostos em 10,2%, uma revisão do imposto sobre rendimento, incluindo o TEI, em 11,9%, uma revisão do imposto sobre bens e serviços em 13,9% e o IVA em 11,6%”, indicou João Santos Luís.
O deputado observou igualmente que a proposta contempla uma redução dos donativos, mas pediu que a revisão das receitas não implique uma maior carga fiscal
“Reduz também os donativos em 374 mil contos. Bem, a revisão desses impostos nós estamos esperançados que não venha a, portanto, não é no sentido de aumentar os impostos”.
Na perspectiva da UCID, não faria sentido um aumento de impostos numa altura em que o país já entrou na segunda metade do ano.
Além da preocupação com a evolução das receitas fiscais, João Santos Luís chamou a atenção para o aumento da despesa previsto na proposta de orçamento rectificativo.
“De forma que é, de facto, um acréscimo de 8 milhões de contos. Portanto, o Governo não pode aqui dizer aos cabo-verdianos que não está a aumentar a despesa pública, porque a despesa, de acordo com o orçamento inicial aprovado, aumenta em 8 milhões de contos e a dívida pública sai de 317 milhões de contos para 307 milhões de contos”, disse.
Na Saúde, a UCID defendeu ainda o aumento do plafond anual destinado à comparticipação de medicamentos para os idosos.
PAICV
“É preciso que fique claro para todos os cabo-verdianos que o PAICV não está a aumentar as despesas públicas. O orçamento inicialmente previsto e aprovado na Assembleia Nacional fixava a despesa em 95,7 mil milhões de escudos. As alterações realizadas nos primeiros meses do ano elevaram este montante para uma projecção de 104,11 mil milhões de escudos”, garantiu Carla Lima.
A líder parlamentar do PAICV atribuiu o aumento da projecção ao anterior Governo do MPD, alegando que o actual executivo encontrou compromissos sem cobertura orçamental e verbas já praticamente esgotadas. “Reafirmamos que 8,3 mil milhões na projecção foi introduzido pelo Governo do MpD”, declarou.
Carla Lima apontou como exemplos áreas como a habitação, apoio às famílias e educação, onde, segundo afirmou, parte significativa das dotações previstas já tinha sido utilizada antes da entrada em funções do novo Governo. “O novo Governo encontrou também compromissos sem cobertura orçamental e dotações anuais esgotadas ou praticamente esgotadas”, disse.
A deputada acusou ainda o anterior executivo de transformar direitos dos cidadãos em instrumentos políticos durante a campanha eleitoral. “Quem precisa de habitação, de alimentos ou de uma bolsa de estudo está a exercer um direito a solicitar isso ao Governo. Mas não deve voto a ninguém”, disse.
Sobre o orçamento rectificativo, Carla Lima garantiu que o documento permitirá ao Governo iniciar a execução do seu programa, com medidas na saúde, educação e apoio às famílias.
A deputada respondeu também às críticas do MpD sobre as receitas previstas no documento e defendeu que os valores resultam de factores externos e de receitas extraordinárias, como o aumento do turismo, a última tranche da concessão dos aeroportos e as remessas dos emigrantes.
“Pelo facto de ser um orçamento que não aumenta a despesa pública, apresenta uma redução em relação à projecção encontrada de 0,1% e ainda permite a este Governo começar a cumprir o programa que estipulou e que aprovou aqui neste Parlamento”, argumentou.

