Inflação poderá subir para 2,7% em 2026. FMI diz que Cabo Verde está preparado para choques imediatos
Num comunicado divulgado na passada sexta-feira, 11, após reunião ordinária realizada a 5 de Maio, e sob recomendação do Comité de Política Monetária, o banco central anunciou a manutenção da taxa directora nos 2,5%, da facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,75% e da facilidade permanente de absorção de liquidez em 2,25%.Segundo o BCV, a decisão surge num contexto em que a economia cabo-verdiana registou um desempenho positivo em 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 6,3% e a inflação média anual a fixar-se em 2,3%, mantendo-se em níveis considerados compatíveis com a estabilidade de preços.O banco central refere ainda que o crédito à economia cresceu 4,8% em 2025, enquanto o sistema bancário manteve indicadores prudenciais sólidos, nomeadamente em termos de solvabilidade e liquidez.As reservas internacionais líquidas atingiram níveis historicamente elevados, ascendendo a cerca de 1,1 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente nove meses de importações.Segundo a mesma fonte, as contas externas também apresentaram uma evolução favorável no ano passado, com a balança corrente a registar um excedente de 3,7% do PIB, impulsionado pelo aumento das receitas do turismo, das remessas dos emigrantes e das transferências privadas.“No entanto, as perspetivas para 2026 tornaram-se mais desafiantes. O agravamento das tensões geopolíticas, incluindo o início de um conflito no Médio Oriente, aumentou a incerteza global e provocou perturbações nos mercados energéticos, pressionando os preços do petróleo, da energia e dos bens alimentares”, escreve o BCV.Para uma economia aberta e dependente das importações, como a cabo-verdiana, o banco central considera que estes choques externos poderão reflectir-se nos preços internos, aumentando as pressões inflacionistas.“Neste enquadramento, as projecções actualizadas do BCV apontam para um abrandamento da actividade económica nacional em 2026, com a economia a crescer 5%, perto do seu potencial de crescimento. A inflação deverá aumentar para 2,7%, reflectindo sobretudo a evolução dos preços das importações, em particular da energia e dos produtos alimentares”, consta.Apesar do contexto externo menos favorável, o BCV prevê que as contas externas continuem globalmente equilibradas e que as reservas internacionais líquidas permaneçam em níveis confortáveis, garantindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026.FMI avisa que agravamento da guerra no Médio Oriente poderá exigir medidas duradourasTambém num comunicado divulgado no final da missão realizada entre 27 de Abril e 8 de Maio, a equipa do FMI liderada por Martin Schindler, afirma que o país cumpriu todos os critérios quantitativos de desempenho e critérios contínuos previstos até Dezembro de 2025, embora reconheça atrasos na publicação das demonstrações auditadas de empresas públicas.Apesar da avaliação positiva, o FMI alerta para riscos descendentes associados à guerra no Médio Oriente. O organismo considera que Cabo Verde está significativamente exposto ao aumento dos preços da energia e dos alimentos importados, bem como a eventuais reduções do turismo e das remessas caso a procura externa abrande.“Embora as almofadas orçamentais e externas acumuladas ao abrigo do programa posicionem bem o país para absorver os efeitos imediatos da guerra no Médio Oriente, um choque mais prolongado ou severo exigiria ajustamentos decisivos e duradouros de política para assegurar que os custos orçamentais de quaisquer medidas de apoio permaneçam contidos, que a população mais vulnerável seja protegida e que o excedente orçamental primário continue a ser suficiente para ancorar a trajectória descendente da dívida pública”, diz o FMI.Além disso, explica, preservar um diferencial positivo de taxas de juro face à área do euro é necessário para apoiar a paridade cambial.O FMI considera ainda apropriadas as medidas adoptadas pelas autoridades cabo-verdianas para amortecer o impacto da volatilidade dos preços do petróleo nos preços internos da energia, mas defende que essas medidas devem permanecer temporárias. O organismo recomenda igualmente o regresso do mecanismo automático de ajustamento dos preços dos combustíveis assim que os mercados internacionais estabilizarem.Para 2027, o Fundo Monetário Internacional aconselha um Orçamento do Estado prudente e alinhado com a trajectória de redução da dívida pública. Defende também a continuação das reformas estruturais, sobretudo nas empresas públicas, na gestão das finanças públicas e nos sectores da electricidade e água, considerados essenciais para reforçar a resiliência climática e o potencial de crescimento do país.O FMI alerta ainda para as perdas da TACV decorrentes do aumento dos preços dos combustíveis e da expansão das companhias aéreas low cost nas rotas externas, sugerindo ao Governo que reavalie a afectação de recursos para melhorar a conectividade interilhas.Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1276 de 13 de Maio de 2026
Num comunicado divulgado na passada sexta-feira, 11, após reunião ordinária realizada a 5 de Maio, e sob recomendação do Comité de Política Monetária, o banco central anunciou a manutenção da taxa directora nos 2,5%, da facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,75% e da facilidade permanente de absorção de liquidez em 2,25%.
Segundo o BCV, a decisão surge num contexto em que a economia cabo-verdiana registou um desempenho positivo em 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 6,3% e a inflação média anual a fixar-se em 2,3%, mantendo-se em níveis considerados compatíveis com a estabilidade de preços.
O banco central refere ainda que o crédito à economia cresceu 4,8% em 2025, enquanto o sistema bancário manteve indicadores prudenciais sólidos, nomeadamente em termos de solvabilidade e liquidez.
As reservas internacionais líquidas atingiram níveis historicamente elevados, ascendendo a cerca de 1,1 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente nove meses de importações.
Segundo a mesma fonte, as contas externas também apresentaram uma evolução favorável no ano passado, com a balança corrente a registar um excedente de 3,7% do PIB, impulsionado pelo aumento das receitas do turismo, das remessas dos emigrantes e das transferências privadas.
“No entanto, as perspetivas para 2026 tornaram-se mais desafiantes. O agravamento das tensões geopolíticas, incluindo o início de um conflito no Médio Oriente, aumentou a incerteza global e provocou perturbações nos mercados energéticos, pressionando os preços do petróleo, da energia e dos bens alimentares”, escreve o BCV.
Para uma economia aberta e dependente das importações, como a cabo-verdiana, o banco central considera que estes choques externos poderão reflectir-se nos preços internos, aumentando as pressões inflacionistas.
“Neste enquadramento, as projecções actualizadas do BCV apontam para um abrandamento da actividade económica nacional em 2026, com a economia a crescer 5%, perto do seu potencial de crescimento. A inflação deverá aumentar para 2,7%, reflectindo sobretudo a evolução dos preços das importações, em particular da energia e dos produtos alimentares”, consta.
Apesar do contexto externo menos favorável, o BCV prevê que as contas externas continuem globalmente equilibradas e que as reservas internacionais líquidas permaneçam em níveis confortáveis, garantindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026.
FMI avisa que agravamento da guerra no Médio Oriente poderá exigir medidas duradouras
Também num comunicado divulgado no final da missão realizada entre 27 de Abril e 8 de Maio, a equipa do FMI liderada por Martin Schindler, afirma que o país cumpriu todos os critérios quantitativos de desempenho e critérios contínuos previstos até Dezembro de 2025, embora reconheça atrasos na publicação das demonstrações auditadas de empresas públicas.
Apesar da avaliação positiva, o FMI alerta para riscos descendentes associados à guerra no Médio Oriente. O organismo considera que Cabo Verde está significativamente exposto ao aumento dos preços da energia e dos alimentos importados, bem como a eventuais reduções do turismo e das remessas caso a procura externa abrande.
“Embora as almofadas orçamentais e externas acumuladas ao abrigo do programa posicionem bem o país para absorver os efeitos imediatos da guerra no Médio Oriente, um choque mais prolongado ou severo exigiria ajustamentos decisivos e duradouros de política para assegurar que os custos orçamentais de quaisquer medidas de apoio permaneçam contidos, que a população mais vulnerável seja protegida e que o excedente orçamental primário continue a ser suficiente para ancorar a trajectória descendente da dívida pública”, diz o FMI.
Além disso, explica, preservar um diferencial positivo de taxas de juro face à área do euro é necessário para apoiar a paridade cambial.
O FMI considera ainda apropriadas as medidas adoptadas pelas autoridades cabo-verdianas para amortecer o impacto da volatilidade dos preços do petróleo nos preços internos da energia, mas defende que essas medidas devem permanecer temporárias.
O organismo recomenda igualmente o regresso do mecanismo automático de ajustamento dos preços dos combustíveis assim que os mercados internacionais estabilizarem.
Para 2027, o Fundo Monetário Internacional aconselha um Orçamento do Estado prudente e alinhado com a trajectória de redução da dívida pública.
Defende também a continuação das reformas estruturais, sobretudo nas empresas públicas, na gestão das finanças públicas e nos sectores da electricidade e água, considerados essenciais para reforçar a resiliência climática e o potencial de crescimento do país.
O FMI alerta ainda para as perdas da TACV decorrentes do aumento dos preços dos combustíveis e da expansão das companhias aéreas low cost nas rotas externas, sugerindo ao Governo que reavalie a afectação de recursos para melhorar a conectividade interilhas.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1276 de 13 de Maio de 2026.