Relatório das eleições de 2024 crítico de Kamala divide Partido Democrata

Opresidente do CND, Ken Martin, tinha prometido divulgar o relatório de 192 páginas há meses, mas manteve-o em segredo por temer que interferisse na mobilização dos democratas para retomar o controlo do Congresso nas eleições intercalares agendadas para novembro, e divulgou-o sob forte pressão interna de membros do partido frustrados com a sua liderança."Não queria criar uma distração", escreveu Martin no Substack. "Ironicamente, ao fazê-lo, acabei por criar uma distração ainda maior. E por isso, peço sinceras desculpas."Embora a análise critique o foco dos democratas na "política identitária", ignora alguns dos elementos mais controversos da campanha de 2024, como a decisão do ex-presidente Joe Biden de se recandidatar, a sua desistência e a escolha apressada de Harris ou a divisão do partido sobre a guerra em Gaza."Não subscrevo o que está neste relatório, nem o que foi omitido. Não podia, de boa-fé, dar-lhe o selo de aprovação do Comité Nacional Democrata (DNC). Mas a transparência é fundamental", disse Martin.Numa teleconferência hoje com a sua equipa, Martin anunciou que o principal autor do relatório, o consultor Paul Rivera, já não trabalhava com o DNC, segundo a AP, que cita um participante na discussão privada. O relatório pós-eleitoral, inicialmente divulgado pela CNN, apela a "um foco renovado nos eleitores do interior e do sul dos Estados Unidos, que passaram a acreditar que não estão incluídos na visão democrata de uma América mais forte e dinâmica para todos"."Milhões de americanos sofrem com o acesso precário à saúde, com a perda de empregos e com infraestruturas precárias, mas continuam a ser persuadidos a votar contra os seus próprios interesses porque não se veem representados na América do Partido Democrata", refere o relatório.A análise aponta para uma redução do apoio e formação aos partidos democratas estaduais, alterações no recenseamento eleitoral e "uma persistente incapacidade ou falta de vontade de ouvir todos os eleitores".A divulgação surge numa altura em que Martin enfrenta uma crise de confiança entre os dirigentes do partido, pouco mais de um ano após o início do seu mandato. O relatório constatou que Harris e os seus aliados não se concentraram o suficiente nos aspetos negativos de Trump, especialmente nas suas condenações por crimes graves. "A liderança democrata de 2024 decidiu não se envolver em propaganda negativa à escala necessária", refere o relatório. "A campanha de Trump e os Super PAC (funds que financiam anúncios eleitorais) que o apoiam atacaram a vice-presidente Harris com toda a força, mas não houve uma reação negativa suficiente ou semelhante por parte dos democratas contra Trump."O Comité Nacional Democrata (DNC) indicou rejeitar estas conclusões, acrescentando notas como "nenhuma fonte ou prova fornecida".O ataque de Trump às políticas de Harris em relação às pessoas transgénero foi citado como um contraste fundamental: Harris foi "encurralada" pelo anúncio "muito eficaz" da campanha de Trump destacando declarações anteriores da candidata democrata em apoio de cirurgias de afirmação de género para reclusos financiadas pelos contribuintes. O relatório condenou ainda o foco do partido nas "políticas identitárias"."Harris descartou a América rural, assumindo que as margens urbanas/suburbanas compensariam", refere o relatório. "Não se pode perder as zonas rurais por margens esmagadoras e compensar noutros locais quando os eleitores rurais representam uma parte significativa do eleitorado".O relatório menciona ainda o fraco desempenho dos democratas entre os eleitores homens não brancos.Harris admitiu em abril voltar a concorrer à presidência. "Talvez. Estou a pensar nisso", respondeu Harris ao reverendo Al Sharpton, depois de este lhe perguntar diretamente se iria concorrer à presidência em 2028. A ex-vice-presidente lançou recentemente um comité de ação política e começou uma série de deslocações pelos Estados Unidos para apoiar candidatos democratas, especialmente nos estados do sul. Depois das eleições intercalares de novembro, em que os democratas esperam retomar o controlo do Congresso, os pré-candidatos presidenciais deverão começar a posicionar-se para as primárias de 2027. Entre os potenciais candidatos estão o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, o ex-secretário dos Transportes Pete Buttigieg, o governador de Illinois, JB Pritzker, o governador de Maryland, Wes Moore, o governador do Kentucky, Andy Beshear, o deputado Ro Khanna, da Califórnia, e os senadores do Arizona, Mark Kelly e Ruben Gallego. Também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, se tem posicionado como uma das principais alternativas do Partido Democrata, com uma oposição de grande visibilidade a Donald Trump. 

Relatório das eleições de 2024 crítico de Kamala divide Partido Democrata

Opresidente do CND, Ken Martin, tinha prometido divulgar o relatório de 192 páginas há meses, mas manteve-o em segredo por temer que interferisse na mobilização dos democratas para retomar o controlo do Congresso nas eleições intercalares agendadas para novembro, e divulgou-o sob forte pressão interna de membros do partido frustrados com a sua liderança.

"Não queria criar uma distração", escreveu Martin no Substack. "Ironicamente, ao fazê-lo, acabei por criar uma distração ainda maior. E por isso, peço sinceras desculpas."

Embora a análise critique o foco dos democratas na "política identitária", ignora alguns dos elementos mais controversos da campanha de 2024, como a decisão do ex-presidente Joe Biden de se recandidatar, a sua desistência e a escolha apressada de Harris ou a divisão do partido sobre a guerra em Gaza.

"Não subscrevo o que está neste relatório, nem o que foi omitido. Não podia, de boa-fé, dar-lhe o selo de aprovação do Comité Nacional Democrata (DNC). Mas a transparência é fundamental", disse Martin.

Numa teleconferência hoje com a sua equipa, Martin anunciou que o principal autor do relatório, o consultor Paul Rivera, já não trabalhava com o DNC, segundo a AP, que cita um participante na discussão privada.

O relatório pós-eleitoral, inicialmente divulgado pela CNN, apela a "um foco renovado nos eleitores do interior e do sul dos Estados Unidos, que passaram a acreditar que não estão incluídos na visão democrata de uma América mais forte e dinâmica para todos".

"Milhões de americanos sofrem com o acesso precário à saúde, com a perda de empregos e com infraestruturas precárias, mas continuam a ser persuadidos a votar contra os seus próprios interesses porque não se veem representados na América do Partido Democrata", refere o relatório.

A análise aponta para uma redução do apoio e formação aos partidos democratas estaduais, alterações no recenseamento eleitoral e "uma persistente incapacidade ou falta de vontade de ouvir todos os eleitores".

A divulgação surge numa altura em que Martin enfrenta uma crise de confiança entre os dirigentes do partido, pouco mais de um ano após o início do seu mandato.

O relatório constatou que Harris e os seus aliados não se concentraram o suficiente nos aspetos negativos de Trump, especialmente nas suas condenações por crimes graves.

"A liderança democrata de 2024 decidiu não se envolver em propaganda negativa à escala necessária", refere o relatório. "A campanha de Trump e os Super PAC (funds que financiam anúncios eleitorais) que o apoiam atacaram a vice-presidente Harris com toda a força, mas não houve uma reação negativa suficiente ou semelhante por parte dos democratas contra Trump."

O Comité Nacional Democrata (DNC) indicou rejeitar estas conclusões, acrescentando notas como "nenhuma fonte ou prova fornecida".

O ataque de Trump às políticas de Harris em relação às pessoas transgénero foi citado como um contraste fundamental: Harris foi "encurralada" pelo anúncio "muito eficaz" da campanha de Trump destacando declarações anteriores da candidata democrata em apoio de cirurgias de afirmação de género para reclusos financiadas pelos contribuintes.

O relatório condenou ainda o foco do partido nas "políticas identitárias".

"Harris descartou a América rural, assumindo que as margens urbanas/suburbanas compensariam", refere o relatório. "Não se pode perder as zonas rurais por margens esmagadoras e compensar noutros locais quando os eleitores rurais representam uma parte significativa do eleitorado".

O relatório menciona ainda o fraco desempenho dos democratas entre os eleitores homens não brancos.

Harris admitiu em abril voltar a concorrer à presidência. "Talvez. Estou a pensar nisso", respondeu Harris ao reverendo Al Sharpton, depois de este lhe perguntar diretamente se iria concorrer à presidência em 2028.

A ex-vice-presidente lançou recentemente um comité de ação política e começou uma série de deslocações pelos Estados Unidos para apoiar candidatos democratas, especialmente nos estados do sul.

Depois das eleições intercalares de novembro, em que os democratas esperam retomar o controlo do Congresso, os pré-candidatos presidenciais deverão começar a posicionar-se para as primárias de 2027.

Entre os potenciais candidatos estão o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, o ex-secretário dos Transportes Pete Buttigieg, o governador de Illinois, JB Pritzker, o governador de Maryland, Wes Moore, o governador do Kentucky, Andy Beshear, o deputado Ro Khanna, da Califórnia, e os senadores do Arizona, Mark Kelly e Ruben Gallego.

Também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, se tem posicionado como uma das principais alternativas do Partido Democrata, com uma oposição de grande visibilidade a Donald Trump.