Macron avisa que vai defender abertura do estreito de Ormuz sem portagens

A reabertura do estreito de Ormuz com a cobrança de portagens seria "um retrocesso", afirmou numa entrevista à margem da cimeira do G7 que hoje tem início em Évian-les-Bains, França."Isso criaria um precedente. Existem muitos outros estreitos no mundo: se cobrarmos portagens sempre, qual será a consequência? Os preços vão aumentar para todos", explicou Macron.A agência de notícias semioficial Fars avançou hoje que o Irão acrescentou uma cláusula de última hora às negociações com os Estados Unidos, estipulando a imposição de taxas pelos serviços marítimos no estratégico estreito de Ormuz, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo, antes de Teerão bloquear a passagem em retaliação pelos ataques israelo-americanos iniciados em 28 de fevereiro.Alertando que a cobrança de portagens em Ormuz é incompatível com as normas internacionais, o chefe de Estado francês assegurou que a França trabalhará para o impedir e sublinhou que o seu país, assim como o Reino Unido, a Itália e os Países Baixos estão preparados para mobilizar rapidamente recursos e ativos no âmbito da missão internacional destinada a garantir a segurança do tráfego marítimo na zona."Estamos prontos para agir rapidamente", garantiu Macron, sublinhando que o porta-aviões nuclear francês "Charles de Gaulle" poderá ser mobilizado "em dois ou três dias" após a confirmação do acordo.O Presidente declarou ainda que a mobilização do porta-aviões pode ser acompanhada por "fragatas dos parceiros e de outros", referindo que, se fosse necessário, os países do G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) se mobilizariam "já esta noite" para viabilizar a implementação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irão."Faremos todos os possíveis para garantir que não há portagens e que os preços não sobem", disse, adiantando que um dos principais objetivos dos países do G7 é evitar quaisquer medidas que possam aumentar o custo do transporte de hidrocarbonetos e levar a preços mais elevados da energia.Macron recordou ainda que a agenda da cimeira inclui uma sessão de debate na terça-feira entre o G7 e os líderes do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar.Ao mesmo tempo, o Presidente francês defendeu que o G7 deve trabalhar para reduzir a sua dependência estratégica do estreito de Ormuz, desenvolvendo rotas alternativas de fornecimento de energia, dando como exemplo a possibilidade de promover corredores terrestres e gasodutos através de países como o Iraque, a Síria ou o Líbano.Anunciado no domingo à noite pelo primeiro-ministro paquistanês e confirmado pouco depois por Washington e Teerão, o acordo, que ainda não foi divulgado publicamente, apela ao fim da guerra em todas as frentes e à reabertura de Ormuz."Autorizo totalmente a reabertura do estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir", afirmou o Presidente dos EUA, Donald Trump, numa mensagem publicada na sua rede social, acrescentando que a abertura do canal acontecerá "assim que o acordo for assinado, na sexta-feira", na Suíça.Esta semana, as respetivas delegações ainda vão realizar reuniões preparatórias, faltando discutir o programa nuclear iraniano.Sobre esta última questão, Emmanuel Macron defendeu que a capacidade de enriquecimento de urânio do Irão deve ser neutralizada sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA)."A nossa prioridade" é ter "um acordo sólido e sério finalizado" entre Washington e Teerão, afirmou, acrescentando que depois deve ser garantida a supervisão do programa nuclear do Irão para que este país não possa, "nos próximos meses e anos, reorganizar-se para produzir urânio enriquecido novamente e construir armas com ele".Foto: Depositphotos

Macron avisa que vai defender abertura do estreito de Ormuz sem portagens

A reabertura do estreito de Ormuz com a cobrança de portagens seria "um retrocesso", afirmou numa entrevista à margem da cimeira do G7 que hoje tem início em Évian-les-Bains, França.

"Isso criaria um precedente. Existem muitos outros estreitos no mundo: se cobrarmos portagens sempre, qual será a consequência? Os preços vão aumentar para todos", explicou Macron.

A agência de notícias semioficial Fars avançou hoje que o Irão acrescentou uma cláusula de última hora às negociações com os Estados Unidos, estipulando a imposição de taxas pelos serviços marítimos no estratégico estreito de Ormuz, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo, antes de Teerão bloquear a passagem em retaliação pelos ataques israelo-americanos iniciados em 28 de fevereiro.

Alertando que a cobrança de portagens em Ormuz é incompatível com as normas internacionais, o chefe de Estado francês assegurou que a França trabalhará para o impedir e sublinhou que o seu país, assim como o Reino Unido, a Itália e os Países Baixos estão preparados para mobilizar rapidamente recursos e ativos no âmbito da missão internacional destinada a garantir a segurança do tráfego marítimo na zona.

"Estamos prontos para agir rapidamente", garantiu Macron, sublinhando que o porta-aviões nuclear francês "Charles de Gaulle" poderá ser mobilizado "em dois ou três dias" após a confirmação do acordo.

O Presidente declarou ainda que a mobilização do porta-aviões pode ser acompanhada por "fragatas dos parceiros e de outros", referindo que, se fosse necessário, os países do G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) se mobilizariam "já esta noite" para viabilizar a implementação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irão.

"Faremos todos os possíveis para garantir que não há portagens e que os preços não sobem", disse, adiantando que um dos principais objetivos dos países do G7 é evitar quaisquer medidas que possam aumentar o custo do transporte de hidrocarbonetos e levar a preços mais elevados da energia.

Macron recordou ainda que a agenda da cimeira inclui uma sessão de debate na terça-feira entre o G7 e os líderes do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar.

Ao mesmo tempo, o Presidente francês defendeu que o G7 deve trabalhar para reduzir a sua dependência estratégica do estreito de Ormuz, desenvolvendo rotas alternativas de fornecimento de energia, dando como exemplo a possibilidade de promover corredores terrestres e gasodutos através de países como o Iraque, a Síria ou o Líbano.

Anunciado no domingo à noite pelo primeiro-ministro paquistanês e confirmado pouco depois por Washington e Teerão, o acordo, que ainda não foi divulgado publicamente, apela ao fim da guerra em todas as frentes e à reabertura de Ormuz.

"Autorizo totalmente a reabertura do estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir", afirmou o Presidente dos EUA, Donald Trump, numa mensagem publicada na sua rede social, acrescentando que a abertura do canal acontecerá "assim que o acordo for assinado, na sexta-feira", na Suíça.

Esta semana, as respetivas delegações ainda vão realizar reuniões preparatórias, faltando discutir o programa nuclear iraniano.

Sobre esta última questão, Emmanuel Macron defendeu que a capacidade de enriquecimento de urânio do Irão deve ser neutralizada sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

"A nossa prioridade" é ter "um acordo sólido e sério finalizado" entre Washington e Teerão, afirmou, acrescentando que depois deve ser garantida a supervisão do programa nuclear do Irão para que este país não possa, "nos próximos meses e anos, reorganizar-se para produzir urânio enriquecido novamente e construir armas com ele".

Foto: Depositphotos